PROGRAMAÇÃO

OUTUBRO/2023


DOMINGO NA YAYÁ
01/10 domingo, 10h às 13h                                                                   
Exposição Yayá: cotidiano, feminismo, doença, riqueza
Conheça a Casa de Dona Yayá, lugar de memória e patrimônio cultural de São Paulo, e a história de vida de Sebastiana de Mello Freire, antiga moradora.

CURSO DE DIFUSÃO

A memória dos esquecidos: os Excluídos da História
2/10 a 06/11 (EXCETO 30/10) segundas-feiras, 17h às 19h
Nesse ciclo de encontros, Maíra Rosin tece estratégias de compreensão sobre as relações entre memória, História e esquecimento de alguns grupos e pessoas que foram silenciados, bem como o papel das relações de poder com a memória material e imaterial.
Inscrições encerradas

OFICINAS DE ESCRITA CRIATIVA: ENCONTRAR SUA VEZ
07/10 sábado, 10h às 12h
Livro: Erguer a voz, Bell Hooks (Elefante, 2019)
Mediadora: Sabina Anzuategui.
Inscrições: casarocha259@gmail.com
Parceria CPC-USP/Casa Rocha 259/Livraria Simples

DOMINGO NA YAYÁ
8/10 domingo, 11h às 12h
Concerto de câmara LAMUC-ECA
Com os instrumentistas do Laboratório de Música de Câmara da ECA-USP.
Coordenação: Alexandre Fontainha Ficarelli

DOMINGO NA YAYÁ
15/10 domingo, 11h às 12h                                                                                                  
Movimento e saúde mental: hatha yoga                                                                                                Aula aberta de práticas corporais, respiratórias e meditativas para o bem-estar físico e mental. Para iniciantes e praticantes de todas as idades. Instrutora: Bruna Gabriela Elias

ROTEIROS DO PATRIMÔNIO DA USP
18/10 quarta-feira, 14h às 17h30 Itinerário
Campus São Carlos
Roteiro de visita pela USP São Carlos, compreendendo o patrimônio universitário para além do campus, alcançando a própria cidade. Inscrições antecipadas no site do CPC USP ou QRCode

DOMINGO NA YAYÁ
22/10 domingo, 11h às 12h                                                                     
Recital de canto e piano
Com Antonieta Bastos (solo) e Sérgio Carvalho (piano), da equipe artística do CoralUSP

ROTEIROS DO PATRIMÔNIO DA USP
25/10 quarta-feira, 09h às 12h30 Itinerário
Centro de São Paulo
Roteiro de visita por locais representativos do centro da Cidade de São Paulo.
Inscrições antecipadas no site do CPC USP ou QRCode

DOMINGO NA YAYÁ
29/10 domingo, 10h às 13h
Oficina infantil: Brinquedos e brincadeiras
Crianças de todas as idades vão se divertir com brincadeiras de antigamente, como bolhas de sabão, cama de gato, bambolê, desenho e pintura com nossos educadores e monitores.

curso de difusão do CPC USP, “a memória dos esquecidos: os excluídos da história”

Inscrições abertas para o próximo curso de difusão do CPC USP, “A memória dos esquecidos: os Excluídos da História”, que ocorrerá de 2/10 a 6/11, às segundas-feiras, na Casa de Dona Yayá, sede do @cpcusp

As aulas têm como objetivo compreender as relações entre memória, História e esquecimento de alguns grupos de pessoas que foram silenciados, bem como assimilar o papel das relações de poder com a memória material e imaterial; pensar sobre os diversos tipos de apagamento da memória e as formas de resistência e preservação dos espaços e da vida de determinados indivíduos; relacionar os campos da arquitetura, do urbanismo e do patrimônio em suas mais diversas formas, em uma perspectiva conjunta desses distintos saberes e sua necessária articulação com outras disciplinas; refletir sobre a dimensão urbana do patrimônio, considerando a cidade como bem cultural; estimular o questionamento sobre o papel da sociedade na preservação da memória.

Público-alvo: historiadores, arquitetos e demais interessados no estudo da História das Cidades

ATIVIDADE PRESENCIAL

Inscrições gratuitas de 22 a 29/09/2023

Link para inscrições: https://uspdigital.usp.br/apolo/apoObterCurso…

“A memória dos esquecidos: os Excluídos da História”

Ministrante: Maíra Rosin

De 2/10 a 6/11/2023

Segundas-feiras, das 17h às 19h

Carga horária: 10 horas

30 vagas

Local: CPC-USP/Casa de Dona Yayá

Rua Major Diogo, 353 – Bela Vista – SP

programação mensal

Atividades presenciais gratuitas

12/9 a 9/10, terças-feiras, 14h-17h

OFICINA DE BORDADO Esta oficina parte da reflexão sobre essa arte manual na vida das mulheres para criar um espaço de convivência entre os participantes.  Inscrições até 4/9: https://forms.gle/wbQEWo7eauVubwH4A

19 e 20/9, terça e quarta-feira  

SEMINÁRIO  Lugares de memória LGBTQIAP+ Local: Museu do Ipiranga e Museu da Diversidade Sexual. Inscrições: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeJunsQ8MSEMNBYoZyF2ZjbR2Re03bn_ZK-n9GHGod8c_qoQw/viewform

3/9  domingo, 11h-12h 

DOMINGO NA YAYÁ  Movimento e saúde mental: hatha yoga Aula aberta de práticas corporais, respiratórias e meditativas para o bem-estar físico e mental. Para iniciantes e praticantes de todas as idades. Instrutora: Bruna Gabriela Elias.

10/9  domingo, 10h-13h

DOMINGO NA YAYÁ Exposição Yayá: cotidiano, feminismo, doença, riqueza
Conheça a Casa de Dona Yayá, lugar de memória e patrimônio cultural de São Paulo e da história de vida de Sebastiana de Mello Freire.

12/9 terça-feira, 14h-17h                                                                                  

RODA DE CONVERSA Memória, bordado e a história de Dona Yayá Conhecer a história do bordado é conhecer a história das mulheres. Beatriz Barsoumian de Carvalho alinhava a história de Yayá, a relação entre saúde mental e as artes manuais, e, ainda, o bordado como uma forma de expressão e de sociabilização. Participação da educadora Carmen Ruiz (CPC-USP).

12/9 terça-feira, 18h-20h

CONVERSA COM PESQUISADORES Educação patrimonial na Casa Oscar Niemeyer Claudia Garcia, pesquisadora e professora da FAU-UnB, apresenta o projeto de educação patrimonial implementado na Casa Niemeyer, localizada em uma área residencial de Brasília. A casa foi projetada por Oscar Niemeyer como moradia para ele e sua família no período de fundação e construção da cidade.

16/9 sábado, 14h-17h30

ROTEIROS DO PATRIMÔNIO DA USP Campus São Carlos
Roteiro de visita pela USP São Carlos, compreendendo o patrimônio universitário para além do campus, alcançando a própria cidade. Inscrições: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSccvF6J3W1XOlFhl3DFiszzRTMmc5On8Rjtm1j5rgK8-z85fg/closedform

17/9 domingo, 11h-12h                                                                                                   

DOMINGO NA YAYÁ  Recital de Piano O pianista Sérgio Carvalho, professor e instrumentista da equipe artística do CoralUSP, interpreta peças de Josef Haydn e Robert Schumann.

24/9  domingo, 10h-13h

DOMINGO NA YAYÁ Brinquedos e brincadeiras
Crianças de todas as idades vão se divertir com brincadeiras de antigamente, como bolhas de sabão, cama de gato, bambolê, desenho e pintura com nossos educadores e monitores.

27/9 quarta-feira, 14h-17h30

ROTEIROS DO PATRIMÔNIO DA USP Campus Butantã e Centro São Paulo
Roteiro de visita por locais representativos da memória da USP na Cidade Universitária e no centro da cidade de São Paulo. Inscrições: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSccvF6J3W1XOlFhl3DFiszzRTMmc5On8Rjtm1j5rgK8-z85fg/closedform

Patrimoniar #08. Claudionor Brandão, Magno de Carvalho e Neli Wada: memória do Sindicato dos Trabalhadores da USP

Patrimoniar #08. Claudionor Brandão, Magno de Carvalho e Neli Wada: memória do Sindicato dos Trabalhadores da USP

Segundo a Carta Patrimonial da USP, o patrimônio cultural universitário é formado por bens portadores de referência à memória, identidade e ação dos vários grupos sociais formadores da Universidade. Entender esse patrimônio envolve, portanto, reconhecer as várias referências culturais relevantes para todos os membros da comunidade universitária: estudantes, servidores docentes e servidores técnico-administrativos. Parte da memória dos docentes e, em alguma medida, a dos estudantes, contudo, já estão razoavelmente bem representadas em monumentos, topônimos, publicações e outras iniciativas de memorialização: temos espalhadas pela universidade inúmeras salas, auditórios, edifícios e laboratórios nomeados a partir de célebres e saudosos ex-docentes e ex-alunos da universidade, assim como monumentos como aquele dedicado ao professor Ramos de Azevedo em frente à Escola Politécnica. No entanto, uma parte importante da vida universitária ainda permanece pouco representada nas narrativas, na memória e no patrimônio universitário — aquela referente aos técnicos-administrativos, personagens que normalmente atuam nos bastidores da universidade responsáveis por fazer suas engrenagens funcionarem adequadamente.

Neste programa o CPC tem o prazer de ouvir o depoimento de três lideranças históricas do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp): Claudionor Brandão, Magno de Carvalho e Neli Wada. Estes depoimentos falam sobre o trabalho e a militância no dia-a-dia da universidade, a memória das primeiras manifestações sindicais — ainda fortemente reprimidas pela Ditadura Militar —, a trajetória de lutas, disputas e conquistas e a maneira como toda essa memória está presente no dia-a-dia da universidade.

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Oficina de bordado

Conhecer a história do bordado é conhecer a história das mulheres . A Oficina de bordado na Casa de Dona Yayá parte desta premissa, pensando nas relações complexas envolvidas entre o ato de bordar e o ideal de feminilidade ao longo da história. Muito da invisibilização dessa prática vem do próprio apagamento da mulher no ambiente doméstico e dos fazeres femininos, lidos sempre através de uma chave de submissão. Apesar disso, o bordado se mostra um local potente quando lido como espaço de criatividade, de trocas afetivas, transmissão de saberes e evocação de memória dentro do universo feminino. Papel que pode até mesmo ser visto como subversivo, seja pelo aprendizado informal do alfabeto nos bordados em ponto cruz, em uma época em que muitas mulheres não tinham acesso à educação, seja tendo o bordado como uma fonte de renda. Muitas vezes o bordado foi para a mulher também um espaço de libertação, um espaço de sociabilidade e de reunião com amigas e vizinhas do bairro. A relação do bordado com a Casa de Dona Yayá também se mostra interessante pela figura de Sebastiana de Melo Freire, que mesmo após a reclusão na casa da rua Major Diogo, ainda mantinha contato com as linhas através do frivolité, técnica para confecção de rendas.

Dessa forma, a Oficina de Bordado é uma proposta para despertar a reflexão sobre essa arte manual na vida das mulheres, criar um espaço de convivência entre os participantes de todos os gêneros e aproximação entre a Universidade e a comunidade. Através de agulhas e linhas, constrói-se muito mais do que desenhos, mas sim novas histórias, redes e memórias.

Bibliografia

PARKER, Rozsika. The Subversive Stitch: Embrodery and the Making of the femininity. Londres: IB
Taurus, 2010.
SOUZA, Juliana Padilha de. TRAMAS INVISÍVEIS: Bordado e a Memória do Feminino no Processo
Criativo. Mestrado em Artes. Universidade Federal do Pará. Belém: 2019.
RODRIGUES, Marly. A Casa de Dona Yayá. In: A Casa de Dona Yayá. Comissão de Patrimônio Cultural da
USP. São Paulo: Edusp, 1999.

Informações

Oficina de bordado

De 12 de setembro a 10 de outubro de 2023

Horário: terças feiras, das 14h às 17h

Ministrante Beatriz Barsoumian de Carvalho

Público-alvo
Homens e mulheres acima de 18 anos, que se interessem por bordado. Não é necessário
ter conhecimento prévio.

Programa
Dia 1 – 12/09 Memória, bordado e a história de Dona Yayá: roda de conversa aberta ao público em geral, com participação da equipe do Educativo do CPC-USP/Casa de Dona Yayá.
Dia 2 – 19/09 Apresentação dos materiais utilizados e dos riscos propostos e da bandeira de pontos.
Dia 3 – 26/09 Elaboração da bandeira de pontos e passagem do risco principal para o tecido.
Dia 4 – 03/10 Bordado do risco principal. Dia 5 – 10/10 Bordado do risco principal, técnicas de finalização e acabamento do bordado.

Materiais necessários
Os inscritos receberão um kit contendo: 1 bastidor + 8 meadas de linha de cores variadas + 2 agulhas + 3 recortes de algodão cru (30cm).

Local: CPC-USP/Casa de Dona Yayá

Endereço: Rua Major Diogo, 353, Bela Vista São Paulo -SP

20 vagas
Inscrições gratuitas presencialmente ou pelo Google Forms: https://forms.gle/wbQEWo7eauVubwH4A

Patrimoniar #07. Andréa Tourinho. Patrimônio, planejamento e planos diretores

Sobre um fundo amarelo constam as seguintes informações:

Patrimoniar #07. Andréa Tourinho. Patrimônio, planejamento e planos diretores

A definição e implementação de políticas públicas constitui uma das dimensões mais importantes do campo do patrimônio cultural: é por meio delas que instrumentos de identificação, preservação e valorização dos bens culturais manifestam-se publicamente e ganham alcance social, sobretudo no ambiente urbano. Neste sentido, é pauta recorrente na trajetória de debates e estudos sobre as políticas públicas de patrimônio a da integração deste campo com o do planejamento urbano. Com efeito, desde meados dos anos 1960 que esta pauta aparece e reaparece nas discussões patrimoniais. São várias as questões ligadas a este debate: em que medida o patrimônio cultural deve aparecer nos planos diretores das cidades? Quais os limites e as potencialidades dos instrumentos urbanísticos na salvaguarda do patrimônio? O progresso da cidade é um entrave à preservação do patrimônio e vice-versa?

Neste momento a cidade de São Paulo discute a revisão de seu Plano Diretor Estratégico. Esta proposta de revisão, contudo, tem sido criticada por diversos pesquisadores, profissionais, ativistas e militantes ligados à academia e aos movimentos sociais em função de ameaças às referências culturais e às marcas da memória social presentes em um território que pode sofrer alterações materiais profundas. Para discutir estes e outros assuntos afins conversamos nesta edição do Patrimoniar com a arquiteta urbanista e professora Andréa Tourinho, pesquisadora e profissional com ampla experiência na interface entre patrimônio cultural e planejamento urbano.

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Ciclo de debates: conhecendo o DOI-Codi/SP

O Centro de Preservação Cultural da USP/Casa de Dona Yayá e o Grupo de Trabalho Memorial DOI-Codi/SP promovem o ciclo de debates Conhecendo o DOI-Codi-SP, que vai reunir especialistas, pesquisadores, militantes dos direitos humanos e ex-presos políticos brasileiros para falar sobre o tema da repressão do Estado. DOI-Codi é a sigla pela qual ficou conhecido o Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna, órgão de repressão subordinado ao Exército brasileiro que foi criado pelo governo para atuar durante a ditadura que se seguiu ao golpe militar de 1964. O objetivo do ciclo de debates é ampliar o conhecimento sobre o que foi esse órgão, sua atuação, seu impacto até os dias atuais e a importância das pesquisas sobre esse período da história recente do Brasil.

O evento é parte do projeto de investigação arqueológica que acontecerá de 2 a 14 de agosto nas antigas instalações do DOI-Codi, realizado pelo LAP/Unicamp, LEAH/Unifesp e DAA/UFMG, com financiamento do CNPQ e Diretoria Executiva de Direitos Humanos da Unicamp. Além das pesquisas no local serão oferecidas oficinas de formação de professores, de alunos dos ensinos Fundamental e Médio.

Programação

2 de agosto de 2023 – quarta-feira, das 14h às 17h

Documentos de verdade e justiça

Mediação: Marian Joffily (UDESC), autora do livro No centro da engrenagem

Exibição do documentário O dia em que a justiça entrou no DOi-Codi (21 min.)

Convidados: Amelinha Teles, jornalista, ex-presa política; Camilo Tavares, cineasta; Flávio Bastos, advogado e representante do Núcleo Memória.

8 de agosto de 2023 – terça-feira, das 19h às 21h30

Aparato policial na lógica da tortura, ontem e hoje

Mediação: Deborah Neves, coordenadora do GT Memorial DOI-Codi/SP

Convidados: Valéria Oliveira, Mães de maio/CAAF; Célia Rocha Paes, arquiteta, ex-presa política; Marcelo Godoy, jornalista, autor do livro A casa da vovó (2015); Moacyr Oliveira, diretor de jornalismo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e assessor da presidência da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), ex-preso político.

9 de agosto de 2023 – quarta-feira, das 14h às 17h

Novos olhares sobre a ditadura e o vivido no DOI-Codi

Mediadora: Sônia Fardim, historiadora

Convidados: Janice Theodoro, professora titular da USP, ex-presa política; Célia Rocha Paes, arquiteta, ex-presa política; Ana Paula Brito, museóloga e historiadora, coordenadora da Rede Brasileira de Pesquisadoxs de Sítios de Memória e Consciência (Rebrapesc).

Ciclo de debates: Conhecendo o DOI-Codi-SP

Dias 2, 8 e 9 de agosto de 2023

Inscrições gratuitas por meio de formulário eletrônico

Dia 2/8

https://forms.gle/c4uddsTRExXx99vV7

Dia 8/8

https://forms.gle/D7m63AyRG8VmCE5s7

Dia 9/8

https://forms.gle/TKBmg52633oK1HqY9

Local

CPC-USP/Casa de Dona Yayá

Rua Major Diogo, 353 – Bela Vista – SP

Patrimônio cultural na atualidade: entre disputas e direitos

Este curso partiu da iniciativa de dois historiadores cujas pesquisas e ativismo tiveram como foco a problematização dos agentes e agências sociais envolvidos na proteção oficial de bens e manifestações culturais junto às políticas públicas de preservação em âmbito municipal, estadual e federal, a saber os conselhos de preservação dos municípios paulistas de São Bernardo do Campo e Jundiaí, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Compreendendo o patrimônio cultural na atualidade como um fenômeno complexo que envolve o poder público, saberes especializados e movimentos sociais, em nossas trajetórias observamos como as políticas para a sua salvaguarda podem ser (e são) apropriadas e reapropriadas por diversos setores da sociedade respondendo às mais diversas motivações: questões urbanas, ambientais, sociais, econômicas, políticas, corporativas, de segurança, memoriais, identitárias, públicas e até mesmo acadêmicas e científicas. Constatamos também o papel central de profissionais especialistas que, por meio de pareceres técnicos, redefinem constantemente as balizas metodológicas e conceituais que determinam a proteção efetiva (ou não) do patrimônio cultural.

Este curso de difusão busca uma reflexão sobre como os saberes acadêmicos podem ser apropriados pelos grupos sociais para a afirmação e defesa de direitos culturais, socioambientais e fundiários junto às políticas públicas. A proposta é realizar um encontro entre o saber acadêmico e a práxis social, dos saberes especializados resultantes de pesquisas científicas com os saberes práticos vivenciados pelos movimentos sociais motivados por fatores memoriais, identitários e éticos que configuram o campo do patrimônio cultural.

Justificativa

Historicamente, a Universidade de São Paulo atuou ativamente junto aos órgãos de preservação e agentes públicos para a definição de parâmetros e marcos conceituais e também de procedimentos institucionais para a atuação oficial dos órgãos de preservação, especialmente o CONDEPHAAT, como explica Marly Rodrigues (2000). A título de exemplo podemos citar os conceitos de patrimônio ambiental urbano (MENESES, 2006) e o caráter cultural do patrimônio natural (DELPHIM, 2017). O papel desempenhado por intelectuais como historiadores, arquitetos e antropólogos na definição de categorias conceituais, de metodologias e de procedimentos do patrimônio cultural também foi apontado e discutido por Márcia Chuva (2012) e Flávia Brito do Nascimento (2016).

Em resposta aos ventos da redemocratização, a Constituição de 1988 consolidou mecanismos participativos também nas políticas públicas de preservação, para que a população se apropriasse desses procedimentos para defender causas coletivas de diferentes domínios da vida cotidiana (HEINICH, 2009) como meio de afirmação e defesa de direitos culturais (CAMPOS, 2018) traduzidos em valores de natureza estética, cognitiva, afetiva, pragmática e ética (MENESES, 2012). A cidade de São Paulo, por exemplo, apresenta um menu bastante diversificado dessas causas sociais que se traduzem direta ou indiretamente na forma do patrimônio cultural, por exemplo, os movimentos pela criação do Parque Augusta, pela continuidade do funcionamento do Cine Belas Artes e, mais recentemente, em defesa do complexo esportivo do Ibirapuera e pela valorização da memória afro-brasileira nos bairros do Bixiga e da Liberdade.

Na medida em que nossas pesquisas buscaram pôr em questão as variáveis da complexa equação que Nathalie Heinich (2009) chama de “fábrica do patrimônio” – valores reivindicados, saberes especializados e procedimentos institucionalizados – nosso curso tem como objetivo refletir, junto aos participantes, em que medida o patrimônio cultural serviu, tem servido e pode servir como campo de afirmação de direitos sociais. Isso em vista propomos identificar valores culturais, discutir categorias de preservação e avaliar efeitos da proteção oficial do patrimônio cultural na contemporaneidade.

Parâmetros conceituais

Partimos aqui do pressuposto de que o patrimônio cultural é um fenômeno que, nas últimas décadas, se tornou sensível a qualquer experiência social. Se, em sua origem, esteve a serviço da construção de identidades nacionais para os Estados Modernos, hoje reflete diferentes maneiras por meio das quais as sociedades ocidentais estabelecem suas relações com o passado (POULOT, 2012). Se por um lado é resultado do trabalho de especialistas institucionalizado pelo Estado segundo critérios conceituais, jurídicos e administrativos (HEINICH, 2009), por outro também é fruto das paixões identitárias (LE GOFF, 1998) e das emoções patrimoniais (FABRE, 2013) que mobilizam diversos setores da sociedade pela sua preservação. Se é um discurso autorizado que valida uma série de bens e práticas sociais, por outro também serve como um instrumento de oposição e subversão política e cultural para a afirmação de identidades e defesa de direitos (SMITH, 2006). Não se perde de vista aqui que esses discursos têm implicações materiais sobre as “coisas” por meio das quais se dão as relações sociais (HARRISON, 2013).

No que diz respeito às disputas sobre o espaço urbano que se traduzir em termos patrimoniais, colocamos em perspectiva não só a Constituição de 1988 e todos os instrumentos participativos que ela reconheceu e instituiu como os conselhos de preservação e de cultura (PAIVA, 2017; CALABRE, 2010) e órgãos de planejamento urbano como também o Estatuto da Cidade (2001). Consideramos essas apropriações coletivas do espaço urbano sob a perspectiva do patrimônio ambiental urbano conforme definidas por Ulpiano de Meneses (2017) e Marly Rodrigues (TOURINHO; RODRIGUES, 2016).

No que diz respeito ao patrimônio natural, tomamos como referência os valores culturais da natureza apontados por Aziz Ab’saber, Simone Scifoni (2007) e Rafael Winter Ribeiro (2007) abordando também práticas de proteção dessa categoria de bem cultural como a aplicação do conceito de paisagem cultural e do instrumento da chancela pelo Iphan conforme os estudos de Danilo Pereira (2018), as ações do CONDEPHAAT em direção à proteção da paisagem analisadas por Felipe Crispim (2014) e as interfaces entre políticas patrimoniais e ambientais no licenciamento ambiental conforme discutidas por Claudia Leal e Luciano Silva (2016).

A questão ambiental vem também ao encontro do valor cultural atribuído a elas por comunidades indígenas, quilombolas e caiçaras. Nesse sentido abordamos as relações entre as questões patrimoniais e fundiárias envolvendo povos indígenas e quilombolas na Constituição de 1988 conforme debatidas por Yussef Campos (2018) e dos territórios indígenas seus direitos constitucionais por Manuela Carneiro da Cunha (2018), bem como as narrativas de reconhecimento e valorização da memória indígena e afro-brasileira abordadas por Natália Louzada (2011) e David William Ribeiro (2021). Sobre a questão do patrimônio caiçara tomamos como parâmetro o trabalho de Simone Toji (2009), em especial o dossiê Patrimônio Cultural Imaterial e Desenvolvimento Sustentável, organizado pela antropóloga e publicado na Revista do CPF-SESC (TOJI, 2021)

Adotamos o conceito de patrimônios difíceis como definidos por Cristina Meneguello (2020), ou seja, bens e locais que remetem a experiências de dor, sofrimento e violência com fins de reparação histórica e reconhecimento de direitos. Nessa perspectiva tomamos como parâmetro os debates recentes sobre hospícios e sanatórios conforme proposto por Cristina Meneguello e Daniela Pistorello (2021), sobre a memória e da patrimonialização de lugares ligados à Ditadura Militar no Brasil como proposto por Deborah Neves (2014), a memória do trabalho conforme a discussão proposta por Marly Rodrigues (2012) e também a problematização da memória dos bandeirantes feita por Paulo Garcez Marins (2020) e que tem ganhado destaque no debate público recente em âmbito mundial.

Para discutir as tensões sobre as representações sociais nos acervos museológicos, propomos atualizar os debates acerca da Nova Museologia conforme proposto por Hugues de Varine (2013) a partir de casos contemporâneos como a ressignificação de acervos relacionados à cultura afro-brasileira conforme discutido por Pamela de Oliveira Pereira (2017) e Bianca Souza (2020), à cultura indígena, como o caso do MAE apresentado por Marília Xavier Cury (2021) e à memória da resistência contra a ditadura no Brasil, como chama a atenção Deborah Neves (2018).

Por fim para debater as possibilidades de participação social no campo das políticas públicas nos apoiamos nos trabalhos de Yussef Campos (2017) sobre o artigo 2016 da Constituição de 1988, de Ana Lucia Goelzer Meira (2008) sobre a experiência de Porto Alegre com o orçamento e plano diretor participativo, de Lia Calabre (2013) sobre os conselhos de cultura, de Sonia Rabello (2009) sobre o instrumento jurídico do tombamento, de Mário Telles sobre o instrumento do registro (2007) de Felipe Crispim (2014) sobre as políticas estaduais de preservação em São Paulo e de Marcelo de Paiva (2014, 2019) sobre as políticas municipais e federais de preservação e, finalmente o volume organizado por Yussef Campos, Raul Lanari e Inês Soares (2021) fazendo um balanço sobre as práticas de preservação do patrimônio imaterial no Brasil.

Objetivos
1. Abordar as questões sociais contemporâneas que têm transformado e redefinido o campo do patrimônio a partir de casos concretos e pesquisas atualizadas sobre essa temática
2. Discutir o alcance e os limites conceituais, administrativos, jurídicos e sociais das políticas de
preservação em nível municipal, federal e estadual.
3. Refletir sobre como o patrimônio cultural tem (ou não) servido como instrumento de defesa de valores e afirmação de direitos aos diversos grupos sociais que o reivindicam.
4. Divulgar referências bibliográficas e também marcos regulatórios sobre o patrimônio cultural com vistas ao empoderamento de setores e movimentos da sociedade civil interessados na preservação patrimonial.

Metodologia
Aulas expositivas dialogadas apresentando os principais temas atuais relacionados ao patrimônio em como parâmetros conceituais, administrativos, e sociais que o delineiam.
Debates em que as participantes e os participantes, se assim desejarem, contribuam com a reflexão sobre casos concretos a partir de suas próprias vivências e mobilizações.
Leitura crítica e debates de textos pré-selecionados.

Resultados esperados
Dar a conhecer os parâmetros conceituais, administrativos e sociais que definem os contornos do patrimônio cultural na atualidade, discutir sua aplicação prática a partir de casos concretos e possibilitar sua apropriação como instrumento conhecimento, de afirmação de valores culturais e de defesa de direitos sociais pelo público.

Público-alvo
Membros de movimentos sociais interessados na preservação patrimonial, estudantes e professores de ensino médio e superior, servidores públicos, e interessados em geral.

Eixos temáticos
Patrimônio ambiental urbano; patrimônio natural; patrimônio afro-brasileiro, indígena e caiçara; patrimônios difíceis; patrimônio museológico; direito à preservação

Programa
Aula 1 – A cidade que queremos: memórias e apagamentos no espaço urbano
Aula 2 – A natureza é patrimônio: a proteção cultural de bens naturais
Aula 3 – O passado é lição para refletir: patrimônio afro-brasileiro, indígena e caiçara
Aula 4 – Lembrar para não repetir: memórias difíceis, luto e reparação
Aula 5 – Coleções de memórias: acervos e representações em disputa
Aula 6 – Como se faz um patrimônio: políticas públicas de preservação e participação social

Referências
AB’SABER, Aziz. O tombamento da Serra do Mar no Estado de São Paulo. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, 21, p. 07-20, 1986.
CALABRE, Lia . Conselhos de Cultura no Brasil: algumas questões. In: Albino Rubim; Taiane Fernandes; Iuri
Rubim. (Org.). Políticas culturais, democracia e conselhos de cultura. 1ed.Salvador: Edufba, 2010, v. 1, p. 305-324.
CAMPOS, Yussef Daibert Salomão de. Palanque e Patíbulo: o patrimônio cultural na Assembleia Nacional Constituinte (1987-1988). SP: Annablume, 2018
CHUVA, Márcia. Por uma história da noção de patrimônio cultural no Brasil. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Nº34, p.147-065, Brasília-DF, 2012.
CRISPIM, Felipe Bueno. Entre a geografia e o patrimônio: estudo das ações de preservação das paisagens paulistas pelo CONDEPHAAT (1969-1989). Dissertação (mestrado em História), Guarulhos, UNIFESP, 2014.
CUNHA, Manuela Carneiro da; BARBOSA, Samuel (orgs.) Direitos dos povos indígenas em disputa. SP: Editora Unesp, 2018.
XAVIER CURY, M. . O Protagonismo Indígena e Museu: abordagens e metodologias. Museologia &
Interdisciplinaridade, [S. l.], v. 10, n. 19, p. 14–21, 2021.
DELPHIM, Carlos Fernando de Moura. Paisagem cultural e patrimônio natural: conceito e aplicabilidade. p.191-201. In: CASTRIOTA, Leonardo Barci; MONGELI, Mônica de Medeiros (coord). 1o Colóquio Ibero-americano Paisagem Cultural, Patrimônio e Projeto. Brasília-DF, Iphan; Belo Horizonte-MG, IEDS, 2017.
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Ministrantes
Felipe Bueno Crispim: Licenciado em História pela Universidade Estadual Paulista UNESP Campus Assis e mestre em História pela Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP. Atuou como pesquisador e documentalista em projetos de identificação, inventário e preservação de acervos documentais e patrimônio cultural. Foi consultor da Diretoria de Patrimônio Artístico e Cultural de Jundiaí e parecerista da Revista Arqueologia Pública do Núcleo de Pesquisas e Estudos Ambientais, NEPAM UNICAMP. É autor do livro “Entre a Geografia e o Patrimônio: estudo das ações de preservação das paisagens paulistas pelo Condephaat (1968-1989), Fapesp/EdUFABC, 2016 e membro do Grupo de Trabalho em História Ambiental da Associação Nacional de História, Seção São Paulo, Anpuh SP. Atualmente é doutorando no Programa de Pós Graduação em História da Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP.

Marcelo Cardoso de Paiva: bacharel e licenciado em História pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), mestre e doutor em História e Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP. Realizou estágio de pesquisa na University of Manchester, na Inglaterra, e na Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne, na França. Atua como professor, pesquisador e consultor nas áreas de história, ensino e patrimônio cultural. Foi assistente de curadoria no projeto Novo Museu do Ipiranga, foi professor de história da rede pública de ensino do estado de São Paulo e é autor do livro Águas, Trilhos e Manacás: as cores da memória, baseado em sua própria pesquisa de campo sobre a região do ABC Paulista.

Patrimônio cultural na atualidade: entre disputas e direitos

Período 2 de agosto a 6 de setembro de 2023, às quartas-feiras, das 18h30 às 21h

Local CPC-USP/Casa de Dona Yayá

Endereço Rua Major Diogo, 353 – Bela Vista – São Paulo

ATIVIDADE PRESENCIAL

inscrições

Inscrições gratuitas no site  USP Digital Sistema Apolo, de 12 a 26 de julho de 2023. São oferecidas 30 vagas. Os selecionados serão comunicados exclusivamente via e-mail oportunamente e deverão confirmar sua participação.

Formulário em: https://uspdigital.usp.br/apolo/apoObterAtividade?cod_oferecimentoatv=114106

Patrimoniar #06. Museus e acervos na universidade

Sobre um fundo amarelo, constam as inscrições:

Patrimoniar #06. Museus e acervos na universidade

Carla Gibertoni Carneiro, Cibele Monteiro da Silva, Flávia Andréa Machado Urzua e Mauricio Candido da Silva.

Há um ditado que corre o mundo dos museus e acervos: “Todas as grandes universidades possuem grandes museus.”

De fato, são inúmeros os casos de universidades de renome internacional que abrigam redes relevantes de museus e outras coleções acadêmicas. A Universidade de São Paulo não foge à regra: além de reunir quatro grandes museus inscritos em seu estatuto ― Museu Paulista (MP), Museu de Zoologia (MZ), Museu de Arqueologia e Etnologia e Museu (MAE) e Museu de Arte Contemporânea (MAC) ― há inúmeros outros pequenos museus ligados às unidades universitárias bem como coleções ligadas a departamentos, laboratórios e outras estruturas de ensino, pesquisa e extensão universitária. De fato, esse rico conjunto de coleções atravessa a história da universidade, constituindo-se de um gigantesco e fascinante rol de documentos, artefatos, obras de arte e outros objetos das mais variadas naturezas e suportes.

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