O Centro de Preservação Cultural da USP – Casa de Dona Yayá tem o prazer de anunciar a segunda edição do curso Antirracismo e contracolonialidade na São Paulo contemporânea, ministrado por Abílio Ferreira, cujas inscrições iniciam hoje e encerram em 22/6.
A passagem dos anos 1980 para os 1990 marcou a consolidação do discurso antirracista no Brasil e refletiu o fortalecimento do interesse pela memória. Nesse contexto, o Movimento Negro ressignificou o 20 de novembro — data da morte de Zumbi — como contranarrativa ao 13 de maio, início da desconstrução do mito da democracia racial e preparação para os 300 anos da “imortalidade” de Zumbi, em 1995.
Paralelamente, o historiador Ulpiano Bezerra de Menezes observava a centralidade crescente da memória em diversas frentes sociais, revelando nova consciência histórica e valorização de registros empíricos relevantes.
Décadas depois, o assassinato de George Floyd, em 2020, reacendeu debates globais sobre racismo e colonialismo. A queda de estátuas de figuras escravocratas em diversos países ecoou no Brasil com o incêndio da estátua de Borba Gato, simbolizando o repúdio à violência histórica e sua glorificação pública.
Diante dessas pressões, iniciativas como a Jornada do Patrimônio e a instalação de monumentos a figuras negras esquecidas — como Itamar Assumpção e Carolina de Jesus — expressam um esforço de reparação simbólica, bem como a Lei 11.645/2008, que ao incluir as culturas afro-brasileira e indígena no currículo escolar reforça a aliança entre povos historicamente marginalizados, cuja resistência encontra na oralidade e na literatura um instrumento de humanização.
Serão quatro encontros, nas segundas-feiras de julho, das 14h às 17h, com a seguinte abordagem:
1 – A literatura negro-brasileira a partir de Luiz Gama – dia 07
2 – Tebas: o homem, a lenda e a alegoria – dia 14
3 – O território negro-indígena do Piques: origem do Bixiga – dia 21
4: Avaliação – dia 28
De 7 a 28/7, das 14h às 17h
Às segundas-feiras
Aulas presenciais e gratuitas, com emissão de certificado USP
O Centro de Preservação Cultural promove ao longo do segundo semestre de 2025 o curso de atualização Patrimônio cultural: políticas e instrumentos. Trata-se de curso de extensão destinado a portadores de diploma de nível superior e voltado à integração de profissionais e pesquisadores ao campo do patrimônio cultural e às suas principais questões emergentes e debates contemporâneos. Trata-se de curso panorâmico, voltado à apresentação e discussão das várias facetas e dimensões do campo do patrimônio, composto por corpo docente formado por especialistas e pesquisadores com experiência acumulada e produção consolidada em seus campos de atuação.
Estruturado na forma de encontros semanais (quartas-feiras, nos períodos vespertino e noturno), o curso ocorrerá de forma presencial na Casa de Dona Yayá entre 6 de agosto e 17 de dezembro de 2025. As inscrições ficam abertas entre os dias 1º e 15 de junho de 2025.
Caracterização e programa
O curso tem abordagem panorâmica e introdutória, tendo como público alvo profissionais e acadêmicos interessados em direcionar, atualizar e aprofundar suas trajetórias profissionais e acadêmicas no campo do patrimônio cultural. Visa difundir o progresso do conhecimento na área do patrimônio cultural, articulando saberes e práticas e constituindo uma base para aprofundamentos futuros. Na perspectiva do patrimônio como campo multidisciplinar, destina-se a profissionais das várias áreas que atuam no patrimônio, como ciências sociais, história, geografia, direito, arquitetura e urbanismo, museologia, ciências da informação, comunicação social, turismo, bem como de engenharias e outras áreas aplicadas.
O curso está estruturado em dois módulos, um de introdução e fundamentos e o outro voltado às especificidades de cada uma das diferentes facetas e dimensões do patrimônio cultural, totalizando 108 horas de carga horária. Os módulos, por sua vez, se dividem em disciplinas distintas que, juntas, compõem um corpo coerente e panorâmico sobre as questões patrimoniais programadas para serem discutidas. As disciplinas distribuem-se em períodos de 3 horas (dois, quatro ou mais períodos, a depender da disciplina, ementa e programa).
Módulo 1. Fundamentos História do patrimônio cultural Memória, sociedade e direitos culturais Teorias da restauração Legislação, cartas e marcos normativos
Módulo 2. O campo do patrimônio e suas múltiplas dimensões Patrimônio material Patrimônio imaterial Patrimônio natural e paisagens culturais Patrimônio arqueológico Lugares de memória e consciência Museus e acervos Patrimônio universitário Patrimônio e mudanças climáticas Pesquisa e inventariação do patrimônio cultural Educação patrimonial Patrimônio e turismo
Corpo docente
Coordenação Flávia Brito do Nascimento, FAU USP Joana Mello de Carvalho e Silva, FAU USP Gabriel Fernandes, CPC USP
Docentes Aline Montenegro Magalhães, MP USP Beatriz Mugayar Kühl, FAU USP Camila Wichers, MAE USP Danilo Celso Pereira, pós doutorando EACH USP Inês Gouveia, IEB USP Julia Anversa, MAE USP Mariana Pessoa, pesquisadora FAU USP Mônica Junqueira de Camargo, FAU USP Pedro Vieira, FAU USP Renato Cymbalista, FAU USP Rosenilton Silva de Oliveira, FE USP Sabrina Fontenele, Escola da Cidade e Instituto Tomie Ohtake Simone Scifoni, FFLCH USP Thiago Allis, EACH USP
SERVIÇO
Período 6/8 a 17/12/2025 (quartas-feiras, das 14h às 21h)
Local Centro de Preservação Cultural – Casa de Dona Yayá Rua Major Diogo, 353, São Paulo, SP
Vagas 40 (dessas 40 vagas, 35% serão destinadas a candidatos pretos, pardos e indígenas, bem como 2 vagas serão destinadas a pessoas trans e 2 vagas destinadas a pessoas com deficiências — não havendo inscritos nestas condições, tais vagas serão destinadas à ampla concorrência)
Inscrições 1º a 15/6/2025 Interessados devem preencher formulário no Sistema Apolo.
Critério de seleção Os candidatos serão selecionados pelo corpo docente do Curso por meio de uma Carta de Intenções. A carta deve ser apresentada no ato da inscrição, via sistema Apolo. O documento deve ter, no máximo, 1 lauda (2500 caracteres com espaços), apresentando uma análise reflexiva sobre a formação acadêmica, as experiências de estudo, trabalhos, pesquisas, publicações e outras informações relacionadas à vida acadêmica e profissional das pessoas interessadas pelo curso, indicando suas motivações. Cartas fora deste padrão não serão consideradas.
Cronograma 1 a 15/6/2025 inscrições pelo sistema Apolo
16/6 a 27/6/2025 seleção dos candidatos
30/6 a 4/7/2025 confirmação de interesse pelo curso
4/7 a 8/7/2025 chamada da lista de espera
6/8 a 17/12/2025 realização do curso (quartas-feiras, das 14h–17h e 18h–21h)
Foram abertas as inscrições para o último curso deste semestre oferecido pelo @cpcusp Captação em vídeo – memórias de moradores do Bixiga, distribuído entre aulas teóricas e sobretudo práticas, tem como objetivo coletar depoimentos de pessoas que residem há muitos anos no bairro Bela Vista (popularmente conhecido como Bixiga), com relatos de suas trajetórias e das memórias da região. Será criada uma playlist no canal do Youtube do CPC USP – Casa de Dona Yayá composta por vídeos com depoimentos de moradores do Bixiga contando suas trajetórias, a relação com o bairro e eventualmente com a Casa de Dona Yayá. Com esta playlist, pretendemos ajudar a manter viva a memória dos habitantes da região, os relatos de suas famílias, as tradições que existem ou já existiram, as transformações pelas quais o Bixiga passou, as histórias vivenciadas ou ouvidas, formando um acervo importante para familiares, amigos, moradores e pesquisadores.
Buscamos com este projeto contribuir pela permanência destas pessoas no bairro, atuando contra o apagamento e silenciamento de populações desfavorecidas que podem desaparecer do Bixiga com a gradativa valorização imobiliária.
Ministrado por Eduardo Kishimoto, cineasta, curador, roteirista e diretor de diversas e premiadas obras e analista de comunicação do CPC USP. Assistente: Dayane Inácio, servidora do CPC USP, com formação em jornalismo.
O curso apresentará um breve panorama de como diferentes escolas de documentário e programas televisivos exploraram o formato de entrevista. A seguir o grupo debaterá os objetivos das gravações, formulará coletivamente a pauta das entrevistas e escolherá os entrevistados a partir de sugestões dos próprios participantes. Serão analisados alguns exemplos de captação e debateremos como percebemos o equilíbrio entre condições técnicas e ambiente de escuta. As gravações acontecerão alternando datas comerciais e aos domingos, privilegiando a agenda dos entrevistados.
Acontece no dia 13 de maio de 2025, nas dependências do InovaUSP, na Cidade Universitária, o 2º Seminário Acervos na USP, no qual profissionais, docentes, estudantes e pesquisadores ligados aos vários acervos da Universidade terão a oportunidade de discutir as potencialidade, limites e desafios na sua gestão, reconhecimento, preservação e comunicação.
Neste 2º Seminário pretendemos encaminhar uma primeira proposta de política de acervos para a Universidade a partir das discussões desenvolvidas na primeira edição do evento, ocorrida em abril de 2023. Naquele momento foram levantadas uma série de dificuldades, desafios e potencialidades na integração dos acervos espalhados pelas unidades às atividades de ensino, pesquisa e extensão, bem como ao seu reconhecimento, preservação, difusão e gestão.
O Centro de Preservação Cultural da USP – Casa de Dona Yayá torna disponível o novo curso oferecido pela instituição: Terreiros Sagrados do Bixiga!
Em momento tão significativo na história do bairro, quando as escavações do Sítio Saracura Vai-Vai recuperam testemunhos de práticas de matriz africana nesta região, o curso visa contribuir significativamente para os estudos acerca da história do povo negro no Bixiga, elucidando que a existência de Terreiros ainda é marcante na contemporaneidade, estabelecendo diálogos e pontes com estes lugares sagrados para a redução do racismo religioso e urbano.
Idealizado pelo professor Fabrício Forganes Santos, cujas formações social e acadêmica têm extensa conexão com o tema, Terreiros Sagrados do Bixiga traça entre os objetivos:
– Refletir sobre as práticas de matriz africana no bairro e suas influências culturais para a memória negra local; – Explorar a história das diferentes manifestações religiosas afro-brasileiras no Bixiga; – Fomentar o debate sobre a patrimonialização desses espaços como parte do patrimônio cultural imaterial do bairro; – Visitar e estudar a arquitetura dos terreiros da região; – Promover o reconhecimento da importância desses espaços na luta contra a discriminação religiosa.
Público alvo: Moradores do bairro do Bixiga/Bela Vista, professores, integrantes de coletivos culturais, estudantes, pesquisadores dos territórios de tradição de matriz africana e demais interessados na relação entre cidade e patrimônios afro-brasileiros.
De 7 a 28 de maio de 2025 Às quartas-feiras, das 19h às 21h30
PROGRAMA COMPLETO (AULA A AULA) Aula 1: 07 de maio de 2025 | 19 h às 21h30 Breve história dos Territórios Sagrados Afros nas cidades brasileiras. Local: CPC-USP / Casa de Dona Yayá
Aula 2: 14 de maio de 2025 | 19 h às 21h30 A Casa dos Orixás do Bixiga. Local: Ile Asé Iya Osun. R. Alm. Marques de Leão, 284
Aula 3: 21 de maio de 2025 | 19 h às 21h30 A Casa dos Caboclos do Bixiga. Local: Terreiro de Umbanda Cacique Pena Branca. R. Santo Antônio, 1299
Aula 4: 28 de maio de 2025 | 19 h às 21h30 A Casa dos Angolas do Bixiga. Local: Casa Mestre Ananias. R. Conselheiro Ramalho, 939
Em várias cidades do mundo ocidental verifica-se desde meados do século 20 a instalação de bairros cenográficos alusivos a determinadas culturas asiáticas (especialmente as nipônicas, chinesas, coreanas, entre outras). Conhecidos como “Chinatowns”, tais bairros materializam na paisagem urbana um conjunto problemático de signos oriundos de contextos distintos, colaborando para a consolidação de estereótipos das populações consideradas “amarelas” por parte das culturas ocidentais. Trata-se de uma forma particularmente perversa de racismo, na medida em que tais paisagens estereotipadas contribuem com formas fetichização e diminuição do outro ao mesmo tempo em que parecem, paradoxalmente, valorizar sua presença. A cidade de São Paulo tem no bairro da Liberdade um desses casos: a construção de um bairro turístico repleto de signos alusivos à presença nipônica no bairro (como pórticos e luminárias estilizadas) está associada não só a esta forma de racismo urbano como colabora também com o apagamento da memória e do patrimônio cultural de outros grupos sociais igualmente invisibilizados no espaço urbano, como as populações negras e indígenas que também ocuparam aquele território.
O Centro de Preservação Cultural apresenta à comunidade universitária uma minuta de POLÍTICA DE ACERVOS PARA A UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, documento reunindo sugestões de princípios, diretrizes e recomendações para o trabalho com acervos no contexto da universidade, em suas várias unidades, museus, institutos e órgãos. Trata-se da sugestão de parâmetros amplos para a gestão, identificação, preservação e difusão dos acervos, constituindo-se em referência para o conjunto da universidade.
Esta minuta será apreciada pela comunidade universitária até o fim de abril de 2025. Em maio realizaremos um seminário para consolidar seu texto e encaminhá-la aos órgãos deliberativos competentes.
Estão abertas as inscrições para a segunda edição da Oficina de Fotografia, ministrada por Dani Sandrini, agora sob o tema Encontrando e contando histórias através da imagem. Tendo como ponto de partida o trabalho de alguns fotógrafos documentais que muitas vezes dialogam com a subjetividade em suas práticas, iremos discutir as possibilidades de construção de um trabalho documental, transitando pelas subjetividades, expectativas, adaptações, surpresas, desafios e escolhas para um projeto coeso e que conte histórias para além das obviedades. Com o convite de restabelecer o caminhar pela cidade, observando e extraindo dela recortes que contam histórias, essa oficina busca aprimorar o olhar fotográfico de forma que o fotógrafo consiga expressar em sua imagem o que ele deseja. Se olhássemos para uma determinada fotografia sua, ela nos contaria uma história sem que nenhuma palavra fosse dita? Muitas vezes queremos dizer algo mas não alcançamos isso com a fotografia que fazemos, seja por questões técnicas, seja porque ainda não nos demos conta de que o cérebro viu uma coisa mas a câmera viu outra. Por isso, aprimorar os conceitos técnicos e estéticos na fotografia trará uma melhor possibilidade de expressão.
PROGRAMA AULA 1: Apresentqação de trabalhos documentaisde diversos fotógrafos AULA 2: Saída fotográfica pelo bairro – mini-documentários . AULA 3: Entendimento do funcionamento básico da câmera Fotometria: Obturador, diafragma, ISO A luz – 6 características técnicas da luz Luz natural x luz artificial / Luz como linguagem. AULA 4: Dificuldades encontradas num trabalho documental. Composição e enquadramento. Lentes. AULA 5: Saída fotográfica pelo bairro – documentários AULA 6: Análise das imagens produzidas pelos participantes, a fim de pensarmos onde estão as potências, as dificuldades e os possíveis aprendizados. Exposição de trabalhos de fotógrafos sobre outras formas de documentar.
de 12/3 a 2/4 Inscrições até 28/2: https://e.usp.br/r-a Aulas às quartas-feiras, das 14h às 16h30 Atividade gratuita, com emissão de certificado USP Rua Major Diogo, 353
A Universidade de São Paulo realizará licitação para seleção de um projeto completo de restauro e atualização da Casa da Dona Yayá, sede deste Centro de Preservação Cultural (CPC-USP). Mais informações estão disponíveis no edital (Concorrência 05/2024): https://e.usp.br/rv-
O Centro de Preservação Cultural da USP – Casa de Dona Yayá está de portas abertas para a jornada de atividades de 2025.
No dia 21/1, celebramos o aniversário de Sebastiana de Mello Freire, a Dona Yayá, e embalaremos o mês de janeiro em ritmo de festa! Começando no próximo domingo, teremos aula de Hatha Yoga no dia 12/1, primeiro Domingo na Yayá do ano! Na semana seguinte, dias 19, 21 e 23/1, abriremos a Casa para visitas mediadas com nosso time de educadores e monitores: dia 19, das 11 às 12 horas; dias 21 e 23, das 14 às 15 horas.
Encerrando os Domingos na Yayá do mês, receberemos a turma do Bloco do Fuá para uma oficina de percussão em 26/1. Aproveitando o tema carnavalesco, também teremos oficina de máscaras para visitantes de todas as idades. No dia 28/1, terça-feira, será realizada a última apresentação da peça Um tempo chamado Yayá (ingressos esgotados). Todas as atividades são gratuitas! Rua Major Diogo, 353 – Bela Vista – SP Horários: de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h; quartas-feiras, das 10h às 20h; domingos, das 10h às 13h.