A presente Política de Acervos é resultado de um processo de discussão promovido desde 2022 pelo Centro de Preservação Cultural da Universidade de São Paulo. Trata-se de uma construção coletiva ancorada no reconhecimento da ampla diversidade de acervos existentes nas várias Unidades, Institutos, Museus e demais Órgãos da Universidade, bem como da relevância exercida por eles em sua articulação com as atividades de ensino, pesquisa, extensão, inclusão e gestão universitária.
A necessidade de um documento referencial apresentando princípios, diretrizes e recomendações para o trabalho com acervos — reconhecidas e respeitadas as várias especificidades, heterogeneidade e autonomia dos diferentes acervos e das várias Unidades, Institutos, Museus e Órgãos — surge de uma trajetória mais abrangente e anterior, caracterizada por uma sucessão de iniciativas de reconhecimento desses acervos como patrimônio cultural universitário. Neste sentido, a presente política também é tributária de levantamentos e pesquisas como as realizadas em torno do Diagnóstico de potencialidades museológicas da USP, de 2000, coordenado por Maria Cristina Bruno, das várias ações de identificação e difusão dos acervos promovidos pelo CPC (destacando-se o Catálogo das coleções especiais e acervos museológicos da USP, de 2003 e o Guia de museus e acervos, de 2018 e a exposição Museus e acervos na USP, ocorrida entre 2018 e 2019) e em especial da Carta do patrimônio cultural da Universidade de São Paulo, documento referencial para o trabalho com bens culturais universitários desenvolvido de forma participativa pelo CPC e aprovado pelo Conselho de Cultura e Extensão Universitária em 2017.
Mais especificamente, a presente Política é resultado do trabalho desenvolvido por Grupo de Trabalho[1] de profissionais de museus e acervos instituído em 2022 pela Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária voltado à discussão dos desafios em torno do trabalho com os acervos em suas múltiplas dimensões e diferentes caracterizações. O Grupo de Trabalho desenvolveu um questionário abrangente sobre as condições dos vários acervos espalhados pela universidade e promoveu o 1º Seminário Acervos na USP: desafios na gestão e na preservação em abril de 2023, cujos resultados apontaram, entre outros encaminhamentos, para a necessidade de construção de uma política que reconhecesse os diferentes desafios, contradições, potencialidades e limites relacionados ao trabalho com os acervos. Trata-se de um cenário bastante heterogêneo, caracterizado pela existência de acervos de diferentes tamanhos, escalas, escopos, tipologias e recursos, os quais demandam uma política abrangente e reconhecedora dessa imensa variedade de experiências e realidades.
Em função disso, o GT procedeu à leitura e discussão de políticas semelhantes implantadas em contextos universitários brasileiros e internacionais, bem como de instituições afins. Tomando por base estes estudos de caso foi elaborada uma minuta submetida a escrutínio público, primeiro na forma de consulta pública eletrônica entre março e abril de 2025 e então por meio de discussão na forma de oficinas no 2º Seminário acervos na USP, ocorrido em maio de 2025. O presente texto é resultado destas discussões, as quais mobilizaram um amplo rol de especialistas, profissionais, docentes, funcionários técnico-administrativos, pesquisadores, discentes, entre outros sujeitos e coletivos ligados ao trabalho com acervos no interior da Universidade.
Ao mesmo tempo, também como resultado das indicações do Seminário de Acervos de 2023, o Centro de Preservação Cultural da USP desenvolveu uma atualização do inventário dos museus e acervos da USP e dos bens tombados, resultando na publicação da 2ª edição revista e ampliada do Guia de Museus e Acervos da USP e do Guia do Patrimônio Tombado da USP[2].
Tomando por referência a concepção de “acervo” como aquela definida pela Política de Memória Institucional da Fiocruz (conjunto de bens que integram o patrimônio de um indivíduo ou instituição, seguindo uma lógica de organização), o presente documento reflete a trajetória de pesquisas e ações institucionais no tema, bem como esta realidade múltipla e heterogênea característica dos vários acervos espalhados pela universidade e reflete anseios, desejos, divergências e necessidades apontadas por aqueles que lidam diretamente com as atividades de pesquisa, documentação, preservação, comunicação, educação e gestão dos acervos universitários. O texto apresenta, de forma sucinta, um conjunto mínimo de princípios, diretrizes e recomendações para os acervos universitários, reconhecendo suas especificidades e sua autonomia em sua implementação e avaliação, de forma a orientar desde sua concepção e formação até suas atividades de comunicação, difusão e consulta pública.
Com a certeza de que este documento contribuirá para o aperfeiçoamento do trabalho com os acervos universitários, apresentamos portanto a seguinte POLÍTICA DE ACERVOS PARA A UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO.
[1] Compuseram o GT os seguintes profissionais: Ariane Soeli Lavezzo, Arize Araújo Pinheiro, Cibele Monteiro da Silva, Flávia Brito do Nascimento, Flávia Andréa Machado Urzua, Gabriel de Andrade Fernandes, Ina Hergert, Isabela Ribeiro de Arruda, Juliana Saft, José Hermes Martins Pereira, Joana Mello de Carvalho e Silva, Mauricio Cândido da Silva, Maria del Carmen Hermida Martinez Ruiz, Miriam Della Posta de Azevedo, Viviane Yuri Jono
[2] Ambos os Guias estão disponíveis no Portal de Livros Abertos da USP, respectivamente em https://tinyurl.com/GMAusp2025 e em https://tinyurl.com/GPTusp2025
