Para os amantes da disciplina, o Centro de Preservação Cultural da USP – Casa de Dona Yayá está com a agenda recheada de cursos patrimoniais no mês de novembro!! Completando a grade, vem aí São Luís cidade negra: reconhecimento, patrimonialização e insurgências, sob a orientação de Alex Oliveira.
O processo de patrimonialização das manifestações culturais pelo Estado brasileiro consolidou-se a partir de uma ideia de representação nacional fundada em bases coloniais hegemônicas, responsáveis por sucessivos processos de exclusão e apagamento dos grupos mais vulneráveis da sociedade. Tal dinâmica se repete em diversos territórios urbanos tombados por seus valores históricos, como São Luís/Maranhão. Localizada em uma ilha equinoxial, a capital maranhense vivencia, desde seu primeiro tombamento em 1940, um processo institucional de patrimonialização que a tornou referência quanto aos desdobramentos da ação estatal — simultaneamente promotora do discurso oficial de proteção e agente de exclusão. Diante da urgência de ampliar a democratização racial e o enfrentamento ao racismo, estudar São Luís como cidade negra, patrimonializada e detentora de uma rica herança cultural afrodiaspórica se faz ainda mais relevante no mês em que se celebra a data da Consciência Negra no Brasil.
Está aberto o período de inscrições para o próximo curso de difusão do Centro de Preservação Cultural da USP – Casa de Dona Yayá, Tradição e ruptura: uma introdução à arquitetura japonesa do século XX.
Embora o Brasil tenha a maior comunidade de imigrantes japoneses fora do Japão, a visão sobre o Extremo Oriente ainda é influenciada por estereótipos distantes da realidade atual. O curso aborda questões culturais e arquitetônicas, destacando a importância de romper com percepções deturpadas e eurocêntricas. Em um cenário de crescente globalização e decolonialidade, objetiva-se refletir sobre as influências das disputas imperialistas na formação da arquitetura japonesa e mundial, promovendo a desconstrução de estereótipos e ampliando a compreensão de contextos culturais diversos.
Corresponde ao conteúdo do curso discutir as principais transformações na arquitetura e urbanismo do Japão desde a Restauração Meiji, no final do século XIX, até os dias atuais, incluindo os impactos da modernização, ocidentalização, industrialização, ciclos de reconstruções e o período pós-guerra.
O Centro de Preservação Cultural promove ao longo do segundo semestre de 2025 o curso de atualização Patrimônio cultural: políticas e instrumentos. Trata-se de curso de extensão destinado a portadores de diploma de nível superior e voltado à integração de profissionais e pesquisadores ao campo do patrimônio cultural e às suas principais questões emergentes e debates contemporâneos. Trata-se de curso panorâmico, voltado à apresentação e discussão das várias facetas e dimensões do campo do patrimônio, composto por corpo docente formado por especialistas e pesquisadores com experiência acumulada e produção consolidada em seus campos de atuação.
Estruturado na forma de encontros semanais (quartas-feiras, nos períodos vespertino e noturno), o curso ocorrerá de forma presencial na Casa de Dona Yayá entre 6 de agosto e 17 de dezembro de 2025. As inscrições ficam abertas entre os dias 1º e 15 de junho de 2025.
Caracterização e programa
O curso tem abordagem panorâmica e introdutória, tendo como público alvo profissionais e acadêmicos interessados em direcionar, atualizar e aprofundar suas trajetórias profissionais e acadêmicas no campo do patrimônio cultural. Visa difundir o progresso do conhecimento na área do patrimônio cultural, articulando saberes e práticas e constituindo uma base para aprofundamentos futuros. Na perspectiva do patrimônio como campo multidisciplinar, destina-se a profissionais das várias áreas que atuam no patrimônio, como ciências sociais, história, geografia, direito, arquitetura e urbanismo, museologia, ciências da informação, comunicação social, turismo, bem como de engenharias e outras áreas aplicadas.
O curso está estruturado em dois módulos, um de introdução e fundamentos e o outro voltado às especificidades de cada uma das diferentes facetas e dimensões do patrimônio cultural, totalizando 108 horas de carga horária. Os módulos, por sua vez, se dividem em disciplinas distintas que, juntas, compõem um corpo coerente e panorâmico sobre as questões patrimoniais programadas para serem discutidas. As disciplinas distribuem-se em períodos de 3 horas (dois, quatro ou mais períodos, a depender da disciplina, ementa e programa).
Módulo 1. Fundamentos História do patrimônio cultural Memória, sociedade e direitos culturais Teorias da restauração Legislação, cartas e marcos normativos
Módulo 2. O campo do patrimônio e suas múltiplas dimensões Patrimônio material Patrimônio imaterial Patrimônio natural e paisagens culturais Patrimônio arqueológico Lugares de memória e consciência Museus e acervos Patrimônio universitário Patrimônio e mudanças climáticas Pesquisa e inventariação do patrimônio cultural Educação patrimonial Patrimônio e turismo
Corpo docente
Coordenação Flávia Brito do Nascimento, FAU USP Joana Mello de Carvalho e Silva, FAU USP Gabriel Fernandes, CPC USP
Docentes Aline Montenegro Magalhães, MP USP Beatriz Mugayar Kühl, FAU USP Camila Wichers, MAE USP Danilo Celso Pereira, pós doutorando EACH USP Inês Gouveia, IEB USP Julia Anversa, MAE USP Mariana Pessoa, pesquisadora FAU USP Mônica Junqueira de Camargo, FAU USP Pedro Vieira, FAU USP Renato Cymbalista, FAU USP Rosenilton Silva de Oliveira, FE USP Sabrina Fontenele, Escola da Cidade e Instituto Tomie Ohtake Simone Scifoni, FFLCH USP Thiago Allis, EACH USP
SERVIÇO
Período 6/8 a 17/12/2025 (quartas-feiras, das 14h às 21h)
Local Centro de Preservação Cultural – Casa de Dona Yayá Rua Major Diogo, 353, São Paulo, SP
Vagas 40 (dessas 40 vagas, 35% serão destinadas a candidatos pretos, pardos e indígenas, bem como 2 vagas serão destinadas a pessoas trans e 2 vagas destinadas a pessoas com deficiências — não havendo inscritos nestas condições, tais vagas serão destinadas à ampla concorrência)
Inscrições 1º a 15/6/2025 Interessados devem preencher formulário no Sistema Apolo.
Critério de seleção Os candidatos serão selecionados pelo corpo docente do Curso por meio de uma Carta de Intenções. A carta deve ser apresentada no ato da inscrição, via sistema Apolo. O documento deve ter, no máximo, 1 lauda (2500 caracteres com espaços), apresentando uma análise reflexiva sobre a formação acadêmica, as experiências de estudo, trabalhos, pesquisas, publicações e outras informações relacionadas à vida acadêmica e profissional das pessoas interessadas pelo curso, indicando suas motivações. Cartas fora deste padrão não serão consideradas.
Cronograma 1 a 15/6/2025 inscrições pelo sistema Apolo
16/6 a 27/6/2025 seleção dos candidatos
30/6 a 4/7/2025 confirmação de interesse pelo curso
4/7 a 8/7/2025 chamada da lista de espera
6/8 a 17/12/2025 realização do curso (quartas-feiras, das 14h–17h e 18h–21h)
Foram abertas as inscrições para o último curso deste semestre oferecido pelo @cpcusp Captação em vídeo – memórias de moradores do Bixiga, distribuído entre aulas teóricas e sobretudo práticas, tem como objetivo coletar depoimentos de pessoas que residem há muitos anos no bairro Bela Vista (popularmente conhecido como Bixiga), com relatos de suas trajetórias e das memórias da região. Será criada uma playlist no canal do Youtube do CPC USP – Casa de Dona Yayá composta por vídeos com depoimentos de moradores do Bixiga contando suas trajetórias, a relação com o bairro e eventualmente com a Casa de Dona Yayá. Com esta playlist, pretendemos ajudar a manter viva a memória dos habitantes da região, os relatos de suas famílias, as tradições que existem ou já existiram, as transformações pelas quais o Bixiga passou, as histórias vivenciadas ou ouvidas, formando um acervo importante para familiares, amigos, moradores e pesquisadores.
Buscamos com este projeto contribuir pela permanência destas pessoas no bairro, atuando contra o apagamento e silenciamento de populações desfavorecidas que podem desaparecer do Bixiga com a gradativa valorização imobiliária.
Ministrado por Eduardo Kishimoto, cineasta, curador, roteirista e diretor de diversas e premiadas obras e analista de comunicação do CPC USP. Assistente: Dayane Inácio, servidora do CPC USP, com formação em jornalismo.
O curso apresentará um breve panorama de como diferentes escolas de documentário e programas televisivos exploraram o formato de entrevista. A seguir o grupo debaterá os objetivos das gravações, formulará coletivamente a pauta das entrevistas e escolherá os entrevistados a partir de sugestões dos próprios participantes. Serão analisados alguns exemplos de captação e debateremos como percebemos o equilíbrio entre condições técnicas e ambiente de escuta. As gravações acontecerão alternando datas comerciais e aos domingos, privilegiando a agenda dos entrevistados.
O Centro de Preservação Cultural da USP – Casa de Dona Yayá torna disponível o novo curso oferecido pela instituição: Terreiros Sagrados do Bixiga!
Em momento tão significativo na história do bairro, quando as escavações do Sítio Saracura Vai-Vai recuperam testemunhos de práticas de matriz africana nesta região, o curso visa contribuir significativamente para os estudos acerca da história do povo negro no Bixiga, elucidando que a existência de Terreiros ainda é marcante na contemporaneidade, estabelecendo diálogos e pontes com estes lugares sagrados para a redução do racismo religioso e urbano.
Idealizado pelo professor Fabrício Forganes Santos, cujas formações social e acadêmica têm extensa conexão com o tema, Terreiros Sagrados do Bixiga traça entre os objetivos:
– Refletir sobre as práticas de matriz africana no bairro e suas influências culturais para a memória negra local; – Explorar a história das diferentes manifestações religiosas afro-brasileiras no Bixiga; – Fomentar o debate sobre a patrimonialização desses espaços como parte do patrimônio cultural imaterial do bairro; – Visitar e estudar a arquitetura dos terreiros da região; – Promover o reconhecimento da importância desses espaços na luta contra a discriminação religiosa.
Público alvo: Moradores do bairro do Bixiga/Bela Vista, professores, integrantes de coletivos culturais, estudantes, pesquisadores dos territórios de tradição de matriz africana e demais interessados na relação entre cidade e patrimônios afro-brasileiros.
De 7 a 28 de maio de 2025 Às quartas-feiras, das 19h às 21h30
PROGRAMA COMPLETO (AULA A AULA) Aula 1: 07 de maio de 2025 | 19 h às 21h30 Breve história dos Territórios Sagrados Afros nas cidades brasileiras. Local: CPC-USP / Casa de Dona Yayá
Aula 2: 14 de maio de 2025 | 19 h às 21h30 A Casa dos Orixás do Bixiga. Local: Ile Asé Iya Osun. R. Alm. Marques de Leão, 284
Aula 3: 21 de maio de 2025 | 19 h às 21h30 A Casa dos Caboclos do Bixiga. Local: Terreiro de Umbanda Cacique Pena Branca. R. Santo Antônio, 1299
Aula 4: 28 de maio de 2025 | 19 h às 21h30 A Casa dos Angolas do Bixiga. Local: Casa Mestre Ananias. R. Conselheiro Ramalho, 939
O Samba é resistência ou (re) existência – e isso nunca foi tão verdade em uma metrópole historicamente excludente, racista e avessa a sua história afro-diaspórica.
Dessa forma, a proposta do curso é analisar e revisitar diversas fontes e atores sociais para compreendermos o percurso do samba enquanto gênero musical, ritmo aglutinador de sociabilidades, identidades e formas de resistência na cidade de São Paulo.
Partindo das disputas sociais sempre presentes na cidade, o curso irá abordar os aquilombamentos urbanos, revoltas sociais, crenças populares, redes de solidariedade e musicalidades tangenciando a questão da formação dos cordões até as Escolas de Samba e os blocos afro-afirmativos.
As memórias da velha guarda do Vai-Vai, o processo recente de direito ao território como espaço de resistência e conexão com a ancestralidade do Movimento Saracura Vai-Vai, os achados arqueológicos abaixo da Capela dos Aflitos na Liberdade, o movimento Samba da Madrinha Eunice na Liberdade, o reconhecimento com estátuas de Madrinha Eunice e Geraldo Filme, a importância indiscutível do samba para o formação da Casa Verde e da Zona Norte sob a égide de Seo Carlão do Peruche; todos essas fatores nos levam a repensar a cidade em sua construção de memórias, sociabilidades, territorialidades e identidades.
Nesse sentido o curso se pretende também a refletir sobre qual o espaço social, político, cultural e de resistência do samba em nossa metrópole e como refletir sobre esse “objeto celebrado” e seus “sujeitos celebrantes” na atualidade.
Data: às quartas-feiras, de 23/10 a 27/11 (exceto 20/11) Horário: 18h às 20h Inscrições até 20/10 Vagas: 30 Público-alvo: estudantes de graduação, pós-graduação, sambistas, ativistas e demais interessados pelo tema Participação presencial Ministrantes: Harry de Castro, Marília Belmonte Magalhães da Silva, Rosemeire Marcondes, Sidnei França e Tabata Luz Coordenadores: Bruno Baronetti e Tiago Bosi Inscreva-se aqui!
Inscrições abertas para o curso de difusão Patrimônio cultural e turismo: análises e debates contemporâneos, ministrado pela professora Francesca Cominelli (Sorbonne) e coordenado pelo professor Thiago Allis (USP). A relação entre turismo e patrimônio cultural costuma ser ambivalente, dado que, de um lado, abrem-se oportunidades de engajamento comunitário, valorização de culturas e geração de receitas com a visitação, mas de outro, pode levar a uma exacerbação de relações comerciais, transformações de hábitos, pastiches e outras intervenções que produzem efeitos negativos – inclusive na produção de experiência da visitação. Assim, o curso propõe um debate acerca da relação entre turismo e patrimônio cultural, pela perspectiva da economia política, em especial no que diz respeito ao patrimônio imaterial. Serão apresentadas algumas linhas teóricas, combinadas com análise de casos em diferentes contextos globais. A realização do curso pelo Centro de Preservação Cultural da USP – Casa de Dona Yayá , em parceria com a Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional, é uma oportunidade de interação com uma das principais pesquisadoras do tema, cujo vínculo como professora visitante da USP, no marco do Edital de Cátedras Franco-Brasileiras, permite um intercâmbio cultural com a Equipe Interdisciplinaire de Recherche sur le Tourisme (EIREST), da Universidade de Paris 1 – Panthéon Sorbonne.
Curso ministrado em inglês e à distância, via plataforma Zoom
Quando: 22 e 23 de outubro Terça e quarta-feira, das 10h às 12h
Estão abertas as inscrições para o curso de difusão Entre histórias, narrativas e documentos: pesquisando patrimônios históricos da Zona Leste, ministrado por integrantes do CPDOC Guaianás
A periferia e seus sujeitos sempre foram colocados no lugar de objeto de pesquisa: os trabalhadores e suas moradias, o seu modo de vida “comunal”; a violência e morte da juventude; a condição das mulheres e suas lutas; a produção cultural do rap, do sarau, etc. Porém, nas últimas décadas houve mudanças significativas: filhos e filhas da classe trabalhadora atuando na construção do conhecimento. A proposta deste encontro é conhecer as principais referências teóricas e metodológicas que são a base dos processos de pesquisa do CPDOC, além de refletir sobre a atuação de pesquisadores periféricos dentro de uma nova forma de produzir conhecimento, na qual eles são centrais em suas formulações metodológicas.
Tratar de patrimônio na periferia e, em especial, a sua salvaguarda levanta uma série de questões que o CPDOC Guaianás vem enfrentando, entre elas: como a classe trabalhadora apreende e conserva o seu patrimônio material? Essa questão, que aparece no decorrer do trabalho, coloca a nós a prerrogativa de que processos de conservação e musealização não ocorram pela classe trabalhadora e na periferia. E com base nessa questão o Coletivo se propõe a trazê-la como reflexão perpassando pelos processos de salvaguarda, musealização e/ou patrimonialização de acervos, coleções e memórias, além da constituição de um museu NA e PARA a periferia, com foco na Zona Leste de São Paulo.
Estes são alguns dos conteúdos a serem debatidos e coletivamente desenvolvidos ao longo dos 6 encontros.
Quando: as aulas ocorrerão às terças e quartas-feiras (exceto 15/10), das 19h às 21h
Entre 01 e 19 de outubro (o último encontro, sábado/19, acontecerá fora do CPC USP, no território de São Mateus, das 10h às 13h) Vagas: 30 Curso presencial, com emissão de certificado
No primeiro semestre de 2024 o Centro de Preservação Cultural – Casa de Dona Yayá inaugurou um grupo de estudos do patrimônio cultural voltado à leitura e debate de textos ligados ao campo do patrimônio. A proposta é reunir pessoas interessadas em aprender, refletir e discutir sobre o tema a partir tanto de textos clássicos do campo como aqueles ligados a questões emergentes. Neste segundo semestre damos continuidade à iniciativa, convidando todos os participantes a retornarem e abrindo o grupo a novos interessados.
A coordenação dos trabalhos fica a cargo da equipe do CPC e a participação é livre, desde que as pessoas interessadas manifestem compromisso em comparecer a todos os encontros e a ler todos os textos sugeridos. O grupo se organizará em torno de um calendário de leituras e debates mensais construído a partir de sugestões promovidas pelo coordenador e pelos participantes do módulo ocorrido no primeiro semestre. A coordenação dos trabalhos e sua organização será realizada pelo especialista Gabriel Fernandes, da equipe do CPC.
PARTICIPAÇÃO E COMPROMISSO COM O GRUPO
Todas as pessoas adultas interessadas, independente de formação ou de área de atuação, podem participar dos debates desde que manifestem compromisso com a regularidade das leituras e dos encontros mensais voltados à discussão dos temas propostos.
As pessoas interessadas devem se inscrever no sistema Apolo. Os participantes do Módulo 1, ocorrido no primeiro semestre de 2024, terão prioridade no preenchimento das vagas.
CALENDÁRIO E LEITURAS
MÓDULO 2
2º semestre de 2024
Os encontros ocorrem sempre na última terça-feira de cada mês, entre as 19h e as 21h.
Manuel Ferreira Lima Filho. Cidadania patrimonial. Texto presente no livro O lado perverso do patrimônio cultural, organizado por Yussef Campos e Jorge Kulemeyer e publicado em 2018.
Ana Gabriela Morim de Lima. Uma biografia do Kàjre, a machadinha Krahô. Texto presente no livro A alma das coisas. Patrimônios, materialidade e ressonância organizado por José Reginaldo Santos Gonçalves, Roberta Sampaio Guimarães e Nina Pinheiro Bitar e publicado em 2013.
26 de novembro
Ailton Krenak e Yussef Campos. Lugares de origem. São Paulo: Editora Jandaíra, 2021.
Público-alvo
Pessoas interessadas em discutir coletivamente tanto textos clássicos como temas emergentes ligados ao campo do patrimônio cultural. Não há necessidade de formação prévia, apenas interesse sincero e compromisso em participar das leituras ao longo do semestre.
Os processos de patrimonialização dos bens culturais costumam ser divididos em três instâncias, as quais caracterizam um tripé de ação patrimonial análogo aos processos museológicos definidos pelas ações de pesquisa, de preservação e de comunicação. Duas dessas instâncias (a de pesquisa/identificação e a de preservação de bens culturais) são amplamente conhecidas, estudadas e praticadas. Para elas há inúmeros marcos normativos e estudos acadêmicos, bem como um acúmulo de experiências e reflexões sistematizado nas famosas cartas patrimoniais.
A terceira instância deste tripé, contudo, permanece ainda carente de maior atenção por parte de profissionais, instituições e ações de patrimonialização. Há, inclusive, certa dificuldade no interior do campo de melhor definir tal instância: tratam-se de ações de difusão, de valorização, de comunicação? Eventualmente adotou-se no mundo anglófono e importou-se para cá a expressão “interpretação”, mas talvez ela seja problemática. Eventualmente também se confundem ações de difusão de bens culturais com ações mais amplas de educação patrimonial — este, contudo, se constitui de um campo que transcende a mera esfera da difusão dos bens e atravessa também as ações de pesquisa e preservação.
Neste curso pretendemos abordar panoramicamente os problemas relacionados a esta terceira instância do patrimônio cultural de definição ainda confusa. Apesar de sua marginalidade nos órgãos de preservação, trata-se de um campo que tem testemunhado avanços relevantes nas práticas patrimoniais recentes, levando-se em conta a multiplicação de experiências e atividades como o turismo social, as jornadas do patrimônio, a presença da pauta patrimonial em redes sociais, entre outros fenômenos semelhantes.
Discutiremos as várias definições associadas à palavras usualmente utilizadas para nos referirmos a esta terceira instância (interpretação, comunicação, difusão, educação, etc), bem como trabalharemos com seus problemas, limites e potencialidades. Avaliaremos atividades tradicionalmente ligadas à extroversão do patrimônio (como a organização de exposições, as várias práticas deambulatórias associadas a roteiros e itinerários, a produção de publicações, inserções em redes sociais, etc) bem como sua interface com a educação patrimonial.
26/8. Educação patrimonial no Brasil e a trajetória do CPC
26/4. Fechamento do curso e apresentação dos exercícios dos participantes
SERVIÇO
Datas e horários
19 a 26 de agosto de 2024, segundas e quartas-feiras, das 19h às 21h30. Aula externa no sábado, dia 24/8, das 9h30 às 12h.
Carga horária
12,5h
Público-alvo
Profissionais, pesquisadores e ativistas do campo patrimonial, bem como interessados em ações com bens culturais de uma forma geral.
Local Casa de Dona Yayá Rua Major Diogo, 353, São Paulo, SP
Curso presencial
Atividade gratuita 30 vagas
Inscrições
Interessados devem se inscrever pelo sistema Apolo: https://e.usp.br/qu3 A seleção será feita por meio de carta de intenção apresentada no momento da inscrição.