Aula pública: O lugar da natureza e da paisagem nas políticas de preservação do patrimônio cultural no Brasil

Aula pública: O lugar da natureza e da paisagem nas políticas de preservação do patrimônio cultural no Brasil

Os ministrantes do curso O lugar da natureza e da paisagem nas políticas de preservação do patrimônio cultural no Brasil organizam no próximo dia 16 de novembro de 2021 uma aula pública, que encerrará as atividades desta edição do curso promovido pelo Centro de Preservação Cultural.

O encontro contará com a participação das historiadoras Aline Carvalho (Unicamp) e Claudia Baeta Leal (Unicamp), que discutirão a historicidade da natureza e da paisagem na constituição do campo do patrimônio cultural, o antropólogo Avaltir Carolino (Ifam), que abordará as demandas sociais pelo tombamento do Encontro das Águas dos rios Negro e Solimões em Manaus (AM), e a arquiteta e urbanista Claudia Muniz (USP), que trará o caso da Grota do Bixiga, no centro de São Paulo (SP), e as mobilizações para a sua proteção. A mediação ficará a cargo dos ministrantes do curso, o geógrafo Danilo Pereira (USP) e o historiador Felipe Crispim (Unicamp).

Inscrições

A aula acontecerá no dia 16 de novembro de 2021, terça-feira, das 19h às 22h, com transmissão on-line. Os interessados devem preencher este formulário até o dia 15 de novembro e informar o endereço de e-mail para receberem o link de acesso da sala virtual.

Não haverá emissão de certificados.

O lugar da natureza e da paisagem nas políticas de preservação do patrimônio cultural no Brasil

Cartaz do curso "O lugar da natureza e da paisagem nas políticas de preservação do patrimônio cultural no Brasil"

Este curso pretende problematizar e refletir sobre o lugar da natureza e da paisagem no âmbito das políticas públicas de preservação de patrimônio cultural, apresentando um panorama das ações de instituições como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), entendendo o patrimônio natural, a paisagem e a paisagem cultural como partes constituintes das reflexões e ações sobre o patrimônio cultural e refletindo e difundindo trajetórias outras que aquelas normalmente associadas à história do patrimônio cultural no Brasil, marcadas pela posição hegemônica de discursos ligados à arquitetura e urbanismo e à categoria de patrimônio edificado.

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Nota pública sobre o Dia Nacional do Patrimônio Cultural

Desde 1998 o Brasil celebra no dia 17 de agosto o patrimônio cultural no país. Trata-se da data de aniversário de Rodrigo Melo Franco de Andrade, mítico personagem associado à criação e aos chamados “anos heróicos” do então Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional — o atual Iphan.

Em 2021, contudo, há pouco o que comemorar. É com grande pesar e preocupação que o Centro de Preservação Cultural expressa sua insatisfação com o atual estado das políticas de salvaguarda do patrimônio cultural brasileiro, as quais vêm sendo alvo de sistemáticos ataques, omissões e retrocessos. Em que pese sermos regidos pelos termos do artigo 216 de nossa Constituição Cidadã de 1988 — que estabelece uma abordagem democrática e plural na gestão dos bens culturais — e por sermos um dos países pioneiros e exemplares na instituição de políticas avançadas de proteção do patrimônio imaterial, vivemos nesses últimos anos uma atmosfera pesada, na qual se misturam atitudes de descaso pelos bens culturais, desrespeito aos direitos culturais dos diferentes grupos sociais — sobretudo das minorias — e de uma efetiva ação destrutiva das estruturas públicas de pesquisa, preservação e comunicação do patrimônio, bem como do aparelhamento de órgãos e conselhos de patrimônio e da intromissão de interesses econômicos e particulares escusos na definição de políticas e decisões sobre o campo. Não podemos deixar de expressar nossa insatisfação com a atuação ao mesmo tempo omissa e reacionária do governo federal no tocante às políticas de proteção do patrimônio.

É nesse cenário que assistimos ao incêndio das instalações da Cinemateca Brasileira — instituição responsável pela preservação de parcela significativa do patrimônio audiovisual brasileiro — e à vergonhosa tentativa de alineação de imóveis tombados da União — entre os quais o célebre Palácio Gustavo Capanema, intimamente ligado à própria história da preservação dos bens culturais no Brasil e a inúmeras narrativas sobre a construção da identidade da nação no século 20. Ao mesmo tempo, assistimos à inaceitável criminalização dos movimentos sociais que reivindicam a democratização das práticas patrimoniais, estabelecendo uma história pública a contrapelo e denunciando memórias associadas a práticas de violência aos grupos minoritários.

Esperamos que no próximo dia 17 de agosto possamos voltar a celebrar o patrimônio cultural brasileiro — retomando o caminho democrático e plural que o caracterizava desde a promulgação da Constituição de 1988. Por ora, podemos apenas lamentar.

Nota pública sobre os monumentos dedicados à história de violência

O Centro de Preservação Cultural acompanha com atenção o debate recente em torno dos monumentos que são celebrativos de pessoas ou fatos ligados à história de violência contra populações minoritárias e historicamente excluídas dos processos de construção da cidadania. A tais populações sempre se negou o direito de decidir sobre quais símbolos e referenciais de memória o espaço público deveria acolher e consolidar. Em situações como estas, a ação direta e a desobediência civil revelam-se como últimas e legítimas alternativas a processos históricos de silenciamento e agressão.

Nesse sentido, manifestamos nosso repúdio à injusta, cruel e arbitrária prisão do líder sindical Paulo Galo e de sua esposa Géssica Barbosa em função da recente ação performática conduzida em protesto contra a presença no espaço público do monumento a Borba Gato, em Santo Amaro.

Lembramos que a Constituição Federal define o patrimônio cultural como o conjunto de bens que fazem referência à memória, à ação e à identidade dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira. No entanto, em que pese a qualidade da produção acadêmica sobre o assunto e da ação de profissionais e pesquisadores conscientes, sabe-se o quanto monumentos e bens patrimonializados no Brasil ainda constituem-se de referências exclusivas de grupos hegemônicos e das elites nacionais. A Constituição Cidadã ainda reitera a ação no campo do patrimônio em perspectiva democrática e plural, apontando o dever do Estado em atuar junto aos vários grupos sociais. Neste sentido, o patrimônio cultural é entendido como um meio para construção de direitos de cidadania — atitude completamente oposta e incompatível com a celebração de monumentos dedicados à agressão a populações historicamente violentadas.

Urge que órgãos de preservação, museus, conselhos e outras instâncias pautem esse debate de forma democrática e plural — incorporando até mesmo a possibilidade da retirada e destruição dos monumentos-símbolo dessas agressões históricas, se for o caso.

 

100 anos de Yayá no Bixiga: os órfãos da gripe espanhola

100 anos de Yayá no Bixiga

Dona Yayá veio morar no casarão da Rua Major Diogo, que hoje leva seu nome, em agosto de 1920 atendendo a recomendações médicas de um tratamento individualizado. Até então, dona Yayá estivera internada por dezoito meses em instituições psiquiátricas depois de um surto psicótico e de ter sido interditada. O fato de Yayá ter sido contaminada pelo virus da gripe espanhola no final de 1918 está entre as possíveis causas da manifestação da psicose.

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Educação Patrimonial na Casa de Dona Yayá

Educação patrimonial na Casa de Dona Yayá

Este curso pretende apresentar, debater e problematizar a relação entre educação e patrimônio, utilizando como estudo de caso a trajetória de vida de Dona Yayá e o patrimônio cultural do bairro do Bexiga. O curso será oferecido na modalidade à distância em plataforma online a ser oportunamente comunicada aos inscritos selecionados pela coordenação.

Trata-se de uma oportunidade de socializar os conhecimentos produzidos em pesquisas recentes realizadas pela equipe do CPC proporcionando, assim, atividades de formação de professores atuantes no ensino fundamental e médio que têm interesse na visitação do espaço. Fortalece-se, assim, o vínculo entre o CPC e as atividades educativas realizadas pelas escolas.

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100 anos de Yayá no Bixiga: Maria Lacerda de Moura chega a São Paulo

Dona Yayá, nascida em 1887, passou a ocupar a casa que hoje leva seu nome na Rua Major Diogo em 1920. Como sabemos, Yayá viveria reclusa nesta casa, transformada em sanatório particular para seu tratamento, pelas próximas quatro décadas. Meses depois, em 1921, mudava-se para São Paulo outra mulher também nascida em 1887: Maria Lacerda de Moura, educadora, escritora e relevante ativista e teórica do feminismo e do anarquismo no Brasil. Nascida em Minas Gerais, atuou como professora em Barbacena, iniciando aí seu envolvimento na discussão da educação pública. Em 1919, no Rio de Janeiro, participou junto de figuras como Bertha Lutz da fundação da Liga pela Emancipação Feminina — grupo do qual afastou-se, contudo, pois almejava a liberdade feminina para além da pauta sufragista.

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Webinário: Conversando sobre museus universitários

Conversando sobre museus universitários

Acervos e museus constituem elementos importantes no interior de universidades, ainda que muitas vezes menosprezados ou marginalizados. De coleções didáticas a museus organizados, passando por acervos de laboratórios e iniciativas de memória, trata-se de um universo que, ainda que já bastante estudado, parece ainda pouco descrito, situado, interpretado e problematizado.

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100 anos de Yayá no Bixiga: A odisseia de uma milionária no jornal de O Parafuso

100 anos de Yayá no Bixiga: Jornal O Parafuso

Em 1919, depois de apresentar mais uma crise nervosa, Yayá foi internada no Hospital Instituto Paulista, onde ficou mais de um ano. O jornal da época — O Parafuso — acompanhou o caso e produziu diversas matérias de cunho sensacionalista, à semelhança de uma novela de folhetim em que contava a história da internação de Yayá como “a odisseia de uma rica milionária” vítima de uma trama em que estariam envolvidos seu tutor, curadores, médicos, parentes próximos e a família de sua madrinha.

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