100 anos de Yayá no Bixiga: os órfãos da gripe espanhola

100 anos de Yayá no Bixiga

Dona Yayá veio morar no casarão da Rua Major Diogo, que hoje leva seu nome, em agosto de 1920 atendendo a recomendações médicas de um tratamento individualizado. Até então, dona Yayá estivera internada por dezoito meses em instituições psiquiátricas depois de um surto psicótico e de ter sido interditada. O fato de Yayá ter sido contaminada pelo virus da gripe espanhola no final de 1918 está entre as possíveis causas da manifestação da psicose.

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Educação Patrimonial na Casa de Dona Yayá

Educação patrimonial na Casa de Dona Yayá

Este curso pretende apresentar, debater e problematizar a relação entre educação e patrimônio, utilizando como estudo de caso a trajetória de vida de Dona Yayá e o patrimônio cultural do bairro do Bexiga. O curso será oferecido na modalidade à distância em plataforma online a ser oportunamente comunicada aos inscritos selecionados pela coordenação.

Trata-se de uma oportunidade de socializar os conhecimentos produzidos em pesquisas recentes realizadas pela equipe do CPC proporcionando, assim, atividades de formação de professores atuantes no ensino fundamental e médio que têm interesse na visitação do espaço. Fortalece-se, assim, o vínculo entre o CPC e as atividades educativas realizadas pelas escolas.

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100 anos de Yayá no Bixiga: Maria Lacerda de Moura chega a São Paulo

Dona Yayá, nascida em 1887, passou a ocupar a casa que hoje leva seu nome na Rua Major Diogo em 1920. Como sabemos, Yayá viveria reclusa nesta casa, transformada em sanatório particular para seu tratamento, pelas próximas quatro décadas. Meses depois, em 1921, mudava-se para São Paulo outra mulher também nascida em 1887: Maria Lacerda de Moura, educadora, escritora e relevante ativista e teórica do feminismo e do anarquismo no Brasil. Nascida em Minas Gerais, atuou como professora em Barbacena, iniciando aí seu envolvimento na discussão da educação pública. Em 1919, no Rio de Janeiro, participou junto de figuras como Bertha Lutz da fundação da Liga pela Emancipação Feminina — grupo do qual afastou-se, contudo, pois almejava a liberdade feminina para além da pauta sufragista.

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Webinário: Conversando sobre museus universitários

Conversando sobre museus universitários

Acervos e museus constituem elementos importantes no interior de universidades, ainda que muitas vezes menosprezados ou marginalizados. De coleções didáticas a museus organizados, passando por acervos de laboratórios e iniciativas de memória, trata-se de um universo que, ainda que já bastante estudado, parece ainda pouco descrito, situado, interpretado e problematizado.

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100 anos de Yayá no Bixiga: A odisseia de uma milionária no jornal de O Parafuso

100 anos de Yayá no Bixiga: Jornal O Parafuso

Em 1919, depois de apresentar mais uma crise nervosa, Yayá foi internada no Hospital Instituto Paulista, onde ficou mais de um ano. O jornal da época — O Parafuso — acompanhou o caso e produziu diversas matérias de cunho sensacionalista, à semelhança de uma novela de folhetim em que contava a história da internação de Yayá como “a odisseia de uma rica milionária” vítima de uma trama em que estariam envolvidos seu tutor, curadores, médicos, parentes próximos e a família de sua madrinha.

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Técnicas de uso de história oral para iniciativas coletivas de valorização da memória

 

Técnicas de uso da história oral para iniciativas coletivas de valorização da memória

O curso pretende fornecer aos participantes ferramentas para que iniciem a constituição de acervos públicos de história oral e memória, a partir de técnicas de produção, armazenamento e divulgação de acervos, proporcionando um contato com as principais técnicas de história oral e preparando-os para usar a oralidade na constituição de acervos de memória. Ao longo do curso serão discutidas a importância das fontes orais na valorização da memória de grupos, capacitando os participantes na implementação de projetos de história e memória e na constituição de acervos de memória.

Este curso é resultado de uma parceria do Centro de Preservação Cultural (CPC) com o Grupo de Estudo e Pesquisa em História Oral e Memória (Gephom).

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100 anos de Yayá no Bixiga: Conjuntura pós-Primeira Guerra

100 anos de Yayá no Bixiga

No ano de 1920, quando Yayá se muda para a casa da Rua Major Diogo, completavam-se dois anos do fim da Primeira Guerra Mundial. O conflito possui reflexos diretos no Brasil, que vão de intervenção direta do país colocando-se contra a Alemanha, à tentativa de acelerar o processo de industrialização para suprir as demandas internas. Além disso, as exportações brasileiras, como o café, foram severamente afetadas. Os países europeus, sofrendo com os gastos da guerra, param de comprá-las, o que ocasiona o acúmulo de toneladas da produção — que são descartadas. Esse cenário de desgaste e crise levam ao tensionamento cada vez mais latente das classes populares, que sofriam na pele as consequências da crise da guerra e do pós-guerra. É nesse cenário que, por exemplo, vemos crescer a greve de 1917.

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Nota pública sobre o Conpresp

Nota pública sobre o Conpresp

O Centro de Preservação Cultural recebe com preocupação e manifesta seu repúdio às notícias de possíveis rupturas institucionais no funcionamento do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp). Tomamos conhecimento da destituição da atual presidência do Conselho por meio de uma manobra legal questionada por organizações diversas da sociedade civil preocupadas com a salvaguarda do patrimônio cultural. A recente movimentação atípica por parte da Prefeitura do Município de São Paulo que levara à destituição da Presidenta, Vice-Presidente e à substituição de mais da metade dos conselheiros não parece condizer com o melhor interesse público. O CPC se soma aos vários grupos e indivíduos que não só vêm denunciando tais manobras como também manifestam o desejo de ampliar a participação popular nas decisões do conselho, agregando a ele a presença de mais forças representativas dos grupos formadores da sociedade paulistana.

100 anos de Yayá no Bixiga: 1920 e a inauguração da Penitenciária do Estado

No mesmo ano em que Yayá se instalava na sua nova residência à Rua Major Diogo, também era inaugurada na cidade de São Paulo a Penitenciária do Estado, na zona norte, no bairro de Santana. O projeto foi idealizado no governo de Albuquerque Lins, levando 9 anos para sua conclusão e envolvendo um investimento considerado de alto valor para época. A construção fora  executada pelo Escritório Técnico Ramos de Azevedo, sendo considerado um projeto moderno e modelo. Sua inauguração foi acompanhada por autoridades, políticos e estudantes, ganhando destaque a visita ilustre do antropólogo  Claude Lévi-Strauss e do escritor austríaco exilado no Brasil, Stefan Zweig, que se referiu a Penitenciária em um de seus livros, destacando a higiene e limpeza exemplares.

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