100 anos de Yayá no Bixiga: os órfãos da gripe espanhola

100 anos de Yayá no Bixiga

Dona Yayá veio morar no casarão da Rua Major Diogo, que hoje leva seu nome, em agosto de 1920 atendendo a recomendações médicas de um tratamento individualizado. Até então, dona Yayá estivera internada por dezoito meses em instituições psiquiátricas depois de um surto psicótico e de ter sido interditada. O fato de Yayá ter sido contaminada pelo virus da gripe espanhola no final de 1918 está entre as possíveis causas da manifestação da psicose.

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100 anos de Yayá no Bixiga: Maria Lacerda de Moura chega a São Paulo

Dona Yayá, nascida em 1887, passou a ocupar a casa que hoje leva seu nome na Rua Major Diogo em 1920. Como sabemos, Yayá viveria reclusa nesta casa, transformada em sanatório particular para seu tratamento, pelas próximas quatro décadas. Meses depois, em 1921, mudava-se para São Paulo outra mulher também nascida em 1887: Maria Lacerda de Moura, educadora, escritora e relevante ativista e teórica do feminismo e do anarquismo no Brasil. Nascida em Minas Gerais, atuou como professora em Barbacena, iniciando aí seu envolvimento na discussão da educação pública. Em 1919, no Rio de Janeiro, participou junto de figuras como Bertha Lutz da fundação da Liga pela Emancipação Feminina — grupo do qual afastou-se, contudo, pois almejava a liberdade feminina para além da pauta sufragista.

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100 anos de Yayá no Bixiga: A odisseia de uma milionária no jornal de O Parafuso

100 anos de Yayá no Bixiga: Jornal O Parafuso

Em 1919, depois de apresentar mais uma crise nervosa, Yayá foi internada no Hospital Instituto Paulista, onde ficou mais de um ano. O jornal da época — O Parafuso — acompanhou o caso e produziu diversas matérias de cunho sensacionalista, à semelhança de uma novela de folhetim em que contava a história da internação de Yayá como “a odisseia de uma rica milionária” vítima de uma trama em que estariam envolvidos seu tutor, curadores, médicos, parentes próximos e a família de sua madrinha.

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100 anos de Yayá no Bixiga: Conjuntura pós-Primeira Guerra

100 anos de Yayá no Bixiga

No ano de 1920, quando Yayá se muda para a casa da Rua Major Diogo, completavam-se dois anos do fim da Primeira Guerra Mundial. O conflito possui reflexos diretos no Brasil, que vão de intervenção direta do país colocando-se contra a Alemanha, à tentativa de acelerar o processo de industrialização para suprir as demandas internas. Além disso, as exportações brasileiras, como o café, foram severamente afetadas. Os países europeus, sofrendo com os gastos da guerra, param de comprá-las, o que ocasiona o acúmulo de toneladas da produção — que são descartadas. Esse cenário de desgaste e crise levam ao tensionamento cada vez mais latente das classes populares, que sofriam na pele as consequências da crise da guerra e do pós-guerra. É nesse cenário que, por exemplo, vemos crescer a greve de 1917.

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100 anos de Yayá no Bixiga: 1920 e a inauguração da Penitenciária do Estado

No mesmo ano em que Yayá se instalava na sua nova residência à Rua Major Diogo, também era inaugurada na cidade de São Paulo a Penitenciária do Estado, na zona norte, no bairro de Santana. O projeto foi idealizado no governo de Albuquerque Lins, levando 9 anos para sua conclusão e envolvendo um investimento considerado de alto valor para época. A construção fora  executada pelo Escritório Técnico Ramos de Azevedo, sendo considerado um projeto moderno e modelo. Sua inauguração foi acompanhada por autoridades, políticos e estudantes, ganhando destaque a visita ilustre do antropólogo  Claude Lévi-Strauss e do escritor austríaco exilado no Brasil, Stefan Zweig, que se referiu a Penitenciária em um de seus livros, destacando a higiene e limpeza exemplares.

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100 anos de Yayá no Bixiga: A greve de 1917

O final da década de 1910 foi agitado na São Paulo de Dona Yayá. A cidade passava por uma crescente industrialização, transformando-se em um polo aglutinador de trabalhadores fabris. Jornadas de trabalho elevadas, salários rebaixados, alto custo do aluguel e o emprego de crianças foram fatores que geraram demandas por parte dos trabalhadores por melhores condições gerais de trabalho e vida. Com a crise gerada pelas consequências diretas da 1a Grande Guerra, iniciada no continente europeu em 1914, houve um estopim dessa incipiente organização dos trabalhadores em 1917, que resultou em uma grande greve geral que se irradiou para várias cidades e deixou importantes legados para os anos seguintes.

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USP Analisa: Remoção de monumentos

USP Analisa: Remoção de monumentos

A derrubada do monumento dedicado ao traficante de escravizados Edward Colston na cidade de Bristol, no Reino Unido, ocorrida em junho de 2020, bem como outras manifestações recentes desencadeadas pelo movimento Black Lives Matter (“Vidas Negras Importam”) trouxeram novamente a público a discussão sobre a disputa pela construção e consolidação de memórias e narrativas no espaço público.

Para dar continuidade e aprofundar esse debate o programa USP Analisa, da Rádio USP FM de Ribeirão Preto, promove uma série especial de quatro programas em uma parceria do Instituto de Estudos Avançados Polo de Ribeirão Preto com o Centro de Preservação Cultural da USP.

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100 anos de Yayá no Bixiga: as transformações da moda

De família abastada, Yayá se vestia de acordo com sua classe social, porém de modo simples, preferia cores escuras, colares discretos, sem muito adereço, embora estudos de moda identificarem o fim do séc. XIX e início do séc. XX como sendo época de ostentação e extravagância, como relatam Caleiro e Gusmão (2012). Há registro de um vestido que Yayá mandou confeccionar na “La Saison”, comércio de Henrique Bamberg na Rua São Bento, n° 51, endereço este que fazia parte do famoso triângulo paulista formado também pelas ruas XV de Novembro e Direita, onde as principais lojas estavam localizadas. Contudo, Yayá também mandou confeccionar vestidos em uma profissional situada na Rua 7 de Abril, n° 10, na própria rua onde morava. (RODRIGUES, 2017; p.81,82).

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100 anos de Yayá no Bixiga: cem anos atrás na política brasileira

Em dezembro de 1918, por volta dos 32 anos, Dona Yayá passou a apresentar os primeiros sintomas mais severos de sua condição mental. Na ocasião, ela chegou a escrever um testamento à lápis, pois achava que iria morrer. Dona Yayá havia voltado de uma viagem à Europa há poucos anos, nos quais ela demonstrou preocupação com a I Guerra Mundial. Em janeiro de 1919, após uma segunda crise, Dona Yayá foi internada no Instituto Homem de Mello.

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