Casa de Dona Yayá

O edifício conhecido como Casa de Dona Yayá, localizado no bairro da Bela Vista, constitui um documento histórico da transformação da cidade de São Paulo. É um dos últimos remanescentes do antigo cinturão de chácaras que circundava a região central da cidade. Em 1920 passou ser a residência de Sebastiana de Mello Freire, conhecida como Dona Yayá, que sofria de distúrbios psiquiátricos e, segundo orientação médica, deveria ficar isolada do cotidiano da cidade. Sofrendo várias alterações necessárias ao seu tratamento, a casa funcionou como um sanatório particular onde Dona Yayá viveu reclusa até 1961, ano de sua morte. Sem herdeiros, todos os seus bens, incluindo essa casa, foram transferidos à Universidade de São Paulo, conforme dispunha a Lei Estadual nº 27.219-A, de 09 de janeiro de 1957.

Sob a responsabilidade da USP a partir de 1969, a Casa de Dona Yayá foi reconhecida como um patrimônio cultural pela antiga Comissão do Patrimônio Cultural, tendo sido objeto de estudos documentais e prospectivos que recuperaram vestígios de construções do final do século 19 submersos por reformas e ampliações posteriores, bem como pelas adaptações sofridas para abrigar sua última proprietária.

A Casa de Dona Yayá passou por um cuidadoso trabalho de recuperação e restauro empreendido por especialistas de diversos campos e áreas do conhecimento, que promoveram o reconhecimento do imóvel como lugar de memória e definiram as diretrizes para orientar as intervenções realizadas. Paredes de tijolos, pinturas murais e o próprio jardim permitem recuperar três momentos distintos dessa residência: o chalé de uma chácara rural, uma casa eclética em área já urbanizada e por último o sanatório.

Esse processo viabilizou a adequada preservação do imóvel e direcionou sua destinação pública e qualificada, inserindo-a no âmbito da cultura e extensão universitária, que lhe rendeu, em 2004, o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade do IPHAN na categoria Preservação do Patrimônio Cultural. Nesse mesmo ano, com a transferência do Centro de Preservação Cultural da USP para a casa, intensificou-se a reflexão a respeito de sua arquitetura, da história do bairro e da personagem Dona Yayá, e muitas atividades de extensão passaram a ser promovidas, estreitando as relações da Universidade com o bairro da Bela Vista, em particular, e com a sociedade em geral.

Devido ao seu valor como bem cultural e lugar de memória, a Casa de Dona Yayá é tombada pelo Estado de São Paulo, desde 1998, e pelo Município, desde 2002.

Imagens

Fotografias da Casa de Dona Yayá produzidas por Eduardo Costa em 2013.