O lugar da natureza e da paisagem nas políticas de preservação do patrimônio cultural no Brasil

Cartaz do curso "O lugar da natureza e da paisagem nas políticas de preservação do patrimônio cultural no Brasil"

Este curso pretende problematizar e refletir sobre o lugar da natureza e da paisagem no âmbito das políticas públicas de preservação de patrimônio cultural, apresentando um panorama das ações de instituições como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), entendendo o patrimônio natural, a paisagem e a paisagem cultural como partes constituintes das reflexões e ações sobre o patrimônio cultural e refletindo e difundindo trajetórias outras que aquelas normalmente associadas à história do patrimônio cultural no Brasil, marcadas pela posição hegemônica de discursos ligados à arquitetura e urbanismo e à categoria de patrimônio edificado.

Sobre o curso

O presente curso de difusão nasceu da interlocução e do debate entre um geógrafo e um historiador, pesquisadores e profissionais do campo da cultura e que em suas pesquisas vêm se dedicando a investigar os diferentes significados das ações de proteção da natureza e da paisagem desenvolvidas pelos órgãos responsáveis pelas políticas de patrimônio cultural no Brasil, o Iphan na esfera federal e o Condephaat no estado de São Paulo.

Essas instituições possuem a atribuição de, no âmbito das políticas públicas, promover a salvaguarda dos suportes da memória e da identidade dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, uma tarefa árdua e minuciosa, dada a riqueza e a diversidade cultural que historicamente caracterizam o território nacional, demandando o constante aperfeiçoamento dos instrumentos de identificação e preservação, assim como medidas capazes de mitigar os fatores de degradação a que estão submetidas tais referências culturais, inseridas, na dinâmica de aceleração do tempo, um tempo efêmero, resultante das profundas mudanças no processo de acumulação do capital que impõem uma nova racionalidade, acarretando a produção de espaços amnésicos.

Pensando tais desafios o curso O lugar da natureza e da paisagem nas políticas de preservação do patrimônio cultural aborda a trajetória das ações de proteção dos bens culturais identificados e protegidos a partir dessas duas categorias de salvaguarda, tendo-se em vista a crescente demanda de conhecimento sobre as especificidades e desafios da tutela desses bens culturais como parte constitutiva do patrimônio cultural brasileiro. Assim pretende-se oferecer um panorama crítico dessas ações, promovendo a problematização dos conceitos de natureza, paisagem e paisagem cultural sob o prisma interdisciplinar do patrimônio cultural.

Programa

19/10. A natureza e a paisagem na constituição do campo do patrimônio.
21/10. Patrimônio natural, paisagem e paisagem cultural: aproximações e distinções enquanto categorias patrimoniais.
26/10. O Iphan e a proteção do patrimônio natural.
4/11. O Condephaat e a experiência paulista de preservação de paisagens.
9/11. A chancela da Paisagem Cultural Brasileira.
11/11. A exclusão da natureza e da paisagem nas práticas de proteção na contemporaneidade.
16/11. Oficina com documentos oficiais

SOBRE OS MINISTRANTES

Danilo Celso Pereira é geógrafo pela Universidade de São Paulo (USP), mestre em Geografia Humana também pela USP e mestre em Preservação do Patrimônio Cultural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), tendo desenvolvido as atividades práticas do programa junto à Coordenação de Paisagem Cultural do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização (DEPAM) da autarquia federal. Atualmente é discente em nível doutorado no Programa de Pós-Graduação em Geografia Humana da USP e pesquisador convidado do Grupo do CNPq do Instituto Florestal do Estado de São Paulo intitulado “Planejamento e Monitoramento de Áreas Naturais Protegidas”. Tem experiência nas áreas de Geografia e Patrimônio Cultural, atuando principalmente nos seguintes temas: geografia crítica, cidades-patrimônio, patrimônio natural, paisagem cultural, políticas públicas de preservação e educação patrimonial.

Felipe Bueno Crispim é licenciado em História pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), Campus Assis. Mestre em História pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Foi relator do processo de tombamento do Centro de Engenharia e Automação do Instituto Agronômico (IA) pela Diretoria de Patrimônio Artístico e Cultural de Jundiaí e membro do Conselho Editorial da Revista Patrimônio, Memória e Cidade, da Secretaria de Cultura de Jundiaí e parecerista da Revista Arqueologia Pública do Núcleo de Pesquisas e Estudos Ambientais (Nepam–Unicamp). É autor do livro Entre a Geografia e o Patrimônio: estudo das ações de preservação das paisagens paulistas pelo Condephaat (1968–1989) e membro do Grupo de Trabalho em História Ambiental da Associação Nacional de História — Seção São Paulo (Anpuh SP). Atualmente é doutorando no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Estadual de Campinas, Unicamp na linha de pesquisa História Intelectual, Cultura Visual e Patrimônios.

Serviço

Data e horário
19 de outubro a 16 de novembro de 2021. Terças e quintas-feiras das 19h às 21h30.

Carga horária
17h

Vagas limitadas
30

Curso à distância
Os interessados devem possuir os meios para acesso à plataforma Google Meet ou similar.

Curso gratuito

Inscrições

Interessados devem preencher formulário disponível no Sistema Apolo até o dia 16 de setembro.

Para que a inscrição seja efetivada, é imprescindível o encaminhamento pelo sistema dos documentos de identificação indicados e de uma carta com justificativa de interesse pelo curso com até uma lauda (2500 caracteres). Tal justificativa pode versar sobre a afinidade sobre a formação do candidato, seus interesses de pesquisa e de atuação profissional, entre outros.

As cartas serão avaliadas pelos ministrantes e os candidatos selecionados serão comunicados exclusivamente por e-mail.