100 anos de Yayá no Bixiga: Maria Lacerda de Moura chega a São Paulo

Dona Yayá, nascida em 1887, passou a ocupar a casa que hoje leva seu nome na Rua Major Diogo em 1920. Como sabemos, Yayá viveria reclusa nesta casa, transformada em sanatório particular para seu tratamento, pelas próximas quatro décadas. Meses depois, em 1921, mudava-se para São Paulo outra mulher também nascida em 1887: Maria Lacerda de Moura, educadora, escritora e relevante ativista e teórica do feminismo e do anarquismo no Brasil. Nascida em Minas Gerais, atuou como professora em Barbacena, iniciando aí seu envolvimento na discussão da educação pública. Em 1919, no Rio de Janeiro, participou junto de figuras como Bertha Lutz da fundação da Liga pela Emancipação Feminina — grupo do qual afastou-se, contudo, pois almejava a liberdade feminina para além da pauta sufragista.

Após mudar-se para São Paulo, Maria Lacerda de Moura entra em contato com ideários políticos de esquerda e com o movimento operário — e em especial com o movimento anarquista. Inserindo-se ativamente neste universo, escreve para os periódicos A Plebe, O Combate e Renascença, importantes publicações anarquistas, nos quais escreve sobre pedagogia e sobre a opressão sofrida por mulheres e crianças. Entre 1928 e 1937 viveu em uma comunidade autogestionada em Guarerema: alvo de forte repressão política, contudo, foi desarticulada durante o Estado Novo. Neste período publicou mais de vinte livros pelos quais expressava uma visão libertária sobre o lugar da mulher na formação da sociedade: homens e mulheres deveriam construir um novo modelo de sociedade baseado na liberdade individual, bem como na emancipação feminina conjugada à masculina.

Em 1938 passa a trabalhar na Rádio Mayrink Veiga, no Rio de Janeiro, fazendo previsões astrológicas. Declarava-se individualista, defensora da razão, da liberdade interior e contrária à violência. Falecida em 1945, sua obra permaneceria no ostracismo por quase meio século, sendo republicada apenas nos anos 1980, quando suas contribuições para os campos da educação e para a teoria anarco-feminista foram reconhecidas e recuperadas.

Hoje, em São Paulo a EMEI Maria Lacerda de Moura é nomeada em sua homenagem.

100 anos de Yayá no Bixiga

Sebastiana de Mello Freire, a Dona Yayá, foi morar na casa da Rua Major Diogo, em início de agosto de 1920, por recomendação médica e permaneceu vivendo ali por 41 anos, até a sua morte em 1961. Para lembrar os 100 anos da chegada de Yayá ao Bexiga, o setor educativo do Centro de Preservação Cultural (CPC–USP) preparou uma série de textos que abordam esse momento da vida de Yayá e o contexto histórico de São Paulo e do país. Acompanhe!