100 anos de Yayá no Bixiga: 1920 e a inauguração da Penitenciária do Estado

No mesmo ano em que Yayá se instalava na sua nova residência à Rua Major Diogo, também era inaugurada na cidade de São Paulo a Penitenciária do Estado, na zona norte, no bairro de Santana. O projeto foi idealizado no governo de Albuquerque Lins, levando 9 anos para sua conclusão e envolvendo um investimento considerado de alto valor para época. A construção fora  executada pelo Escritório Técnico Ramos de Azevedo, sendo considerado um projeto moderno e modelo. Sua inauguração foi acompanhada por autoridades, políticos e estudantes, ganhando destaque a visita ilustre do antropólogo  Claude Lévi-Strauss e do escritor austríaco exilado no Brasil, Stefan Zweig, que se referiu a Penitenciária em um de seus livros, destacando a higiene e limpeza exemplares.

Na ocasião, a instituição  possuía poucos funcionários, o número de detentos era bem reduzido e eles mesmo eram responsáveis pelas atividades diárias de organização e manutenção do espaço: cozinhavam, cuidavam do pomar, fabricavam o próprio pão, faziam seus próprios calçados e até faziam a enfermagem, orientados por médicos e outros profissionais. Possuíam auditório, celas individuais, atendimento dentário, central telefônica, entre outros espaços. Nos horários livres podiam estudar na escola do presídio, ir a missa na capela e até aprender artes plásticas.

A Penitenciária do Estado foi o ponto de partida para a constituição do Complexo Penitenciário do Carandiru, sendo todo o conjunto tombado pelo Conpresp, órgão municipal de preservação do patrimônio cultural, por meio da Resolução 38/2018. Constitui lugar de memória de acontecimento trágico conhecido como o massacre do Carandiru, que resultou em mais de cem mortos pela ação da polícia militar após a ocorrência de uma rebelião interna. Segundo a Anistia Internacional trata-se do maior massacre ocorrido na história das penitenciárias brasileiras.

100 anos de Yayá no Bixiga

Sebastiana de Mello Freire, a Dona Yayá, foi morar na casa da Rua Major Diogo, em início de agosto de 1920, por recomendação médica e permaneceu vivendo ali por 41 anos, até a sua morte em 1961. Para lembrar os 100 anos da chegada de Yayá ao Bexiga, o setor educativo do Centro de Preservação Cultural (CPC–USP) preparou uma série de textos que abordam esse momento da vida de Yayá e o contexto histórico de São Paulo e do país. Acompanhe!