100 anos de Yayá no Bixiga: A greve de 1917

O final da década de 1910 foi agitado na São Paulo de Dona Yayá. A cidade passava por uma crescente industrialização, transformando-se em um polo aglutinador de trabalhadores fabris. Jornadas de trabalho elevadas, salários rebaixados, alto custo do aluguel e o emprego de crianças foram fatores que geraram demandas por parte dos trabalhadores por melhores condições gerais de trabalho e vida. Com a crise gerada pelas consequências diretas da 1a Grande Guerra, iniciada no continente europeu em 1914, houve um estopim dessa incipiente organização dos trabalhadores em 1917, que resultou em uma grande greve geral que se irradiou para várias cidades e deixou importantes legados para os anos seguintes.

A greve estourou em julho daquele ano. Com inúmeras manifestações, os operários exigiam do governo o controle sobre os preços dos alimentos e o direito à livre associação política, além do comprometimento das empresas em não contratação de menores de 15 anos para turnos noturnos, redução de carga horária de trabalho, reajuste salarial, pagamento de salários atrasados e. A firmeza das reivindicações fez a greve se alastrar para inúmeras outras cidades, como Santos e Campinas. Entretanto também houve repressão, mortes e prisão de operários militantes. Alguns grupos com maior organização política dirigiam importantes meios de comunicação que sustentavam a greve, como o jornal anarquista A Plebe.

A greve geral foi a primeira experiência relevante do tipo e deixou suas sementes, abrindo caminho para experiências posteriores, como a Aliança Anarquista de 1918. A revolução bolchevique de outubro de 1917, também foi decisiva para a organização classista no Brasil, influenciando e levando à formação do primeiro Partido Comunista Brasileiro, em 1919, posteriormente oficializado e consolidado, em 1922, como Partido Comunista do Brasil em 1922 (PCB).

A Greve de 1917 foi o germe do movimento de trabalhadores organizados na cidade de São Paulo e no Brasil, e também elemento transformador até mesmo do Bexiga de Dona Yayá, que aos poucos também se tornava um bairro de trabalhadores.

100 anos de Yayá no Bixiga

Sebastiana de Mello Freire, a Dona Yayá, foi morar na casa da Rua Major Diogo, em início de agosto de 1920, por recomendação médica e permaneceu vivendo ali por 41 anos, até a sua morte em 1961. Para lembrar os 100 anos da chegada de Yayá ao Bexiga, o setor educativo do Centro de Preservação Cultural (CPC–USP) preparou uma série de textos que abordam esse momento da vida de Yayá e o contexto histórico de São Paulo e do país. Acompanhe!