100 anos de Yayá no Bixiga: o Carnaval de 1919

Estamos em janeiro de 1919, ano em que se deu o processo de interdição de Dona Yayá. Dez dias depois da violenta crise que determinou sua internação em uma instituição psiquiátrica e com o laudo médico de paranóia aguda, atestou-se a incapacidade de Yayá de reger sua pessoa e seus negócios, determinando-se sua interdição pela justiça. A partir daí, ela nunca mais pode decidir sobre qualquer assunto, nem mesmo sobre sua pessoa.

Nesse mesmo mês de janeiro de 1919, vivia-se no Brasil um clima de incertezas em função do temor da volta da gripe espanhola com o aparecimento de novos casos  isolados, com a crise política que levou a novas eleições e com as dificuldades econômicas decorrentes da queda nas exportações do café. Mesmo assim, surpreendentemente no dia 1o. de março, sábado de carnaval, a alegria explodiu. Revistas de época chamaram-no de o carnaval do desafogo, da revanche ou  ainda da ressurreição, como a maior festa de todos os tempos. Blocos, cordões, corsos, ranchos e os grandes bailes e desfiles zombavam da gripe e da morte. Em São Paulo, a festa foi na Avenida Paulista para onde havia sido transferido o carnaval em 1912.  O povo comemorava a vida após a devastação provocada pela gripe espanhola. Para  Carlos Heitor Cony: “depois da fase mortuária veio a libertária”.

100 anos de Yayá no Bixiga

Sebastiana de Mello Freire, a Dona Yayá, foi morar na casa da Rua Major Diogo, em início de agosto de 1920, por recomendação médica e permaneceu vivendo ali por 41 anos, até a sua morte em 1961. Para lembrar os 100 anos da chegada de Yayá ao Bexiga, o setor educativo do Centro de Preservação Cultural (CPC–USP) preparou uma série de textos que abordam esse momento da vida de Yayá e o contexto histórico de São Paulo e do país. Acompanhe!